Você conhece a síndrome da Bela Adormecida?

Uma jovem britânica chega a dormir 22 horas por dia. A doença, caracterizada por uma mutação genética, não tem cura, e desaparece misteriosamente após um prazo de 10 anos

por Fernanda Nazaré 23/10/2014 10:06

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A jovem britânica Beth Goodier é portadora da Síndrome Kleine-Levin, e chega a dormir 22 horas por dia (foto: YouTube/Reprodução)
Ela não espera por um príncipe, mas está sendo chamada de Bela Adormecida. A britânica Beth Goodier, de 20 anos, é portadora de uma rara síndrome, que a faz dormir por até 22 horas seguidas. A jovem sofre da Síndrome Kleine-Levin (SKL), também conhecida como síndrome da "Bela Adormecida", que afeta, em sua maioria, adolescentes. "Não é nada bonito, nada romântico, é horrível", afirma Beth, em entrevista à rede de televisão britânica BBC.

De acordo Rosamaria Peixoto Guimarães, presidente do departamento de neurologia da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), a síndrome não tem causa definida e o tratamento serve apenas para tentar combater o sono, por meio de medicamentos. "Sabe-se que é uma mutação genética. Mas, por ser muito rara, não há como estabelecer um padrão. Os pacientes diagnosticados teriam de ser estudados a vida inteira. Essa é a maior dificuldade quando se busca a cura para doenças consideradas incomuns", explica a médica.

Segundo a reportagem da BBC, existem aproximadamente 40 casos da Síndrome Kleine-Levin no Reino Unido, e cerca de mil em todo o mundo. A neurologista da AMMG diz que já houve caso de SKL no Brasil, mas não existe dado contabilizado. "Um médico pode clinicar a vida inteira e não se deparar com um paciente nessa condição", conta.

A síndrome é caracterizada por se manifestar na adolescência, por volta dos 13 anos de idade e, independentemente de se usar medicação, ela "desaparece" ao longo de 10 ou 15 anos. A comunidade médica também não sabe dizer por que os sintomas somem após esse período. Os afetados pela SKL também podem apresentar obesidade e alterações de humor.

Hipersonia

Outra doença semelhante à Síndrome Kleine-Levin é a hipersonia idiopática. Ela é menos grave que a síndrome da "Bela Adormecida", e por ser uma doença primária do sono, tem sua origem em alguma disfunção do sistema nervoso central.

O distúrbio é caracterizado por sonolência excessiva que começa, geralmente, entre os 15 e 25 anos, e segue de forma progressiva.  Os pacientes relatam uma forte compulsão para dormir, mesmo após um sono de oito horas ou mais, e dificuldade em permanecer acordado, principalmente em ocasiões com pouca movimentação física – por exemplo, ao ler livros, assistir televisão ou aula.

"Na hipersonia primária, a pessoa dorme muito e não há uma causa identificável. A diferença dessa doença para a SKL é que a pessoa passa mais tempo acordada durante o dia, em alerta, o que causa menos prejuízo à vida social e profissional", explica a neurologista Rosamaria Guimarães.

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