Dilma Rousseff vai precisar de mais diálogo na Câmara dos Deputados

Isso por que o PT e seus aliados elegeram menos deputados em 2014, o que vai demandar mais conversa com a oposição

27/10/2014 12:27

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Bruno Peres/CB/D.A Press
Com menos deputados aliados na Câmara, Dilma deve precisar de muito jogo de cintura para aprovar as matérias interessantes ao governo (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
A presidente Dilma Rousseff assumirá o mandato no ano que vem com uma base menor na Câmara dos Deputados. O PT continuará com a maior bancada na casa, mas com 18 deputados a menos do que hoje. Serão 70 deputados em 2015 contra os 88 atuais. Além disso, os nove partidos que estão na chapa que elegeu Dilma (PT, PMDB, PSD, PP, PR, Pros, PDT, PCdoB e PRB) elegeram 304 deputados, 36 a menos do que na eleição passada.

Com a diminuição do PT e dos aliados, a presidente ficará mais dependente dos outros partidos para conseguir os votos necessários para aprovar seus projetos. O apoio dos deputados é ainda mais relevante porque é na Câmara dos Deputados que se iniciam os debates de projetos de autoria do governo federal. Também caberá à casa discutir propostas relacionadas à reforma política, tema considerado prioritário no discurso feito por Dilma após a vitória no domingo.

O deputado Luciano Castro (PR-RR) cobrou a reconstrução das relações com os partidos. "A base diminuiu um pouco, então será necessário mais cuidado e a formação de alianças que deem sustentação ao governo", diz. O PR está na chapa de Dilma, mas ameaçou retirar o seu apoio antes do começo da campanha. O líder do partido, deputado Bernardo Santana de Vasconcellos (MG), chegou a liderar um movimento para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva substituísse a atual presidente no pleito.

Fragmentada

A cientista política Débora Messenberg, professora da Universidade de Brasília explica que a Câmara dos Deputados estará, em 2015, mais fragmentada e menos experiente. Ela lembrou que, dos 513 deputados eleitos, 198 são novatos na casa. "A experiência parlamentar faz diferença na atuação de cada deputado", afirma.

Agência Câmara/Divulgação
(foto: Agência Câmara/Divulgação)
Débora lembra ainda que, em seu novo mandato, a presidente Dilma terá que negociar mais para conseguir aprovar projetos na casa, que terá um perfil mais conservador. Ela explica que 48% dos deputados eleitos estão alinhados mais à direita, 26% à esquerda e 25% no centro. "Isso vai exigir mais negociação", completa.

Oposição

Os líderes oposicionistas chamaram atenção para o resultado apertado das urnas, que indica uma divisão do país. Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), isso aumenta a responsabilidade dos partidos contrários ao governo. Ele afirmou que vai insistir nas investigações de escândalos envolvendo o governo federal, como é o caso da Petrobras. "Haverá tumulto político geral tendo em vista esse quadro de contaminação do governo com os escândalos da Petrobras. A comissão parlamentar de inquérito terá de ser retomada na próxima legislatura, inclusive com possíveis processos de quebra de decoro parlamentar contra parlamentares envolvidos", diz.

A CPMI da Petrobras tem funcionamento garantido até 23 de novembro. Para continuar as investigações, será necessário um novo pedido de investigação, com o apoio de 1/3 da Câmara e 1/3 do Senado.

Os partidos que estavam na chapa de Aécio Neves (PSDB, PMN, SD, DEM, PEN, PTN, PTB, PTC e PTdoB) elegeram 130 deputados. O PSDB será o maior partido de oposição, com 54 deputados – 10 a mais do que a bancada atual.

(com Agência Câmara)

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