Canetas milionárias

Edições especiais que homenageiam escritores, músicos e personalidades de todo o mundo, elevam o patamar desses objetos de desejo de colecionadores e admiradores de joias

por Fernanda Nazaré 29/10/2014 18:23

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Mont Blanc/Divulgação
A tradicional marca alemã de canetas, ou ferramentas da escrita, possui edições limitadas, de luxo, que homenageiam grandes nomes da história e cultura mundial (foto: Mont Blanc/Divulgação)
Não são só os brincos, colares e anéis que podem ser considerados joias. Canetas em ouro, cravejadas de diamante e em edições limitadas podem chegar a mais de US$ 1 milhão. Marcas como Waterman, Sheaffer e Mont-Blanc são as "Rolls-Royce" dos instrumentos de escrita – forma como são chamadas as canetas mais sofisticadas.

Desde a época em que se abandonou as penas, usadas juntamente com os tinteiros, no final do século XIX, a fabricação artesanal das ferramentas de escrita e os detalhes exclusivos são os principais atributos das marcas de luxo.

A Waterman surgiu em 1883, quando o americano Lewis E. Waterman inventou a caneta tinteiro. Adquirir um modelo desse tipo vai além de uma simples ferramenta de escrita: é levar também conhecimento artesanal centenário aliado à tecnologia do século XXI.

O mesmo se pode falar da Sheaffer, que é considerada a evolução da caneta tinteiro. A marca, fundada em 1908, em Fort Madison, lowa, nos Estados Unidos, é uma invenção de Walter A. Sheaffer. Ele inovou ao criar o mecanismo de enchimento por meio de alavanca.

Dois anos antes, em 1906, nascia a Mont-Blanc, em Hamburgo, na Alemanha. Requinte é o diferencial da marca, que produz coleções quase exclusivas. Especulações apontam que a caneta mais cara do mundo pertence a eles, e é cravejada com cinco mil brilhantes.

Em Belo Horizonte, a joalheria Manoel Bernardes não revela os preços, mas mostra as peculiaridades de coleções da Mont-Blanc que homenageiam escritores, músicos e personalidades de todo o mundo.

Daniel Defoe – escritor, autor de Robson Crusoé

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
Lançada este ano, a edição Daniel Defoe presta homenagem ao escritor do clássico Robinson Crusoé, a famosa história de aventura, publicada em 1719, sobre um náufrago que se vê preso numa ilha tropical (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


A caneta é inspirada na pá de madeira que Crusoé utiliza para tentar escapar da ilha. Na tampa, foi usada resina preciosa, e, no corpo, um efeito de textura e cor de madeira simboliza a vida do sobrevivente. O anel da tampa e o cone são decorados com gravuras típicas do século XVIII, que estampavam capas de livros da época, encadernados em couro.

O clipe decorado em forma de uma pena remete ao papagaio Poll, companheiro de Crusoé. O pássaro está retratado sobre a pena da caneta-tinteiro, de ouro 750, banhado em rutênio. Como toque final, a assinatura de Daniel Defoe está na tampa, em homenagem ao célebre escritor britânico.

Ludovico Sforza – duque de Milão

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
A edição Patrono das Artes, de 2013, homenageou o Duque de Milão, mecenas do grande Leonardo Da Vinci: Ludovico Sforza (1452-1508) (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


Uma versão em ouro maciço, limitada a 888 unidades, e uma edição em prata esterlina, limitada a 4810 canetas-tinteiro, remetem á época do Renascimento. O homenageado, o governador espanhol Ludovico Sforza, tinha paixão pelas artes. Sob seu patronato, Leonardo Da Vinci criou suas obras. O Castelo Sforzesco, em Milão, casa da mais prestigiada dinastia de duques italianos, é a inspiração para a tampa e o desenho do clipe, com as torres cilíndricas.

Os detalhes decorativos reproduzem o motivo usado por Da Vinci no afresco da sua Câmara dos Conselhos, assim como no vestido e nos ornamentos da Monalisa. O azul laqueado do corpo e da tampa é decorado com o motivo Da Vinci, de forma translúcida. Os detalhes em ouro maciço na caneta-tinteiro contrastam com a laca azul, refletindo a cor do afresco do teto da câmara. As iniciais gravadas no anel da tampa remetem ao testone, uma moeda de prata cunhada em homenagem a Ludovico Sforza durante o Renascimento milanês.

Grace Kelly – atriz e princesa de Mônaco

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
Grace Kelly, a eterna Princesa de Mônaco, é uma mulher conhecida pelo estilo elegante e pelo talento artístico, que lhe rendeu até um Oscar (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


Feita inteiramente em ouro maciço na cor champanhe, a caneta possui diamantes (2.68 k) e rubis (0.26 k) na tampa e no corpo. Seu monograma está finamente gravado no alto da tampa, e o clipe apresenta o brilho do diamante lapidado, em gota, de 0.41 k. Como lembrança da aristocracia, a tampa é adornada com um círculo de rubis com lapidação losango, inspirado no brasão do principado de Mônaco. O cone apresenta uma madrepérola cabochon, além de trazer a assinatura da célebre estrela de Hollywood.

Henry E. Steinway – pioneiro na construção de pianos

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
De origem alemã, Heinrich Engelhard Steinweg (1797-1871) construiu seus primeiros pianos em sua cozinha, antes de emigrar para os EUA. Foi pioneiro na construção do piano moderno, definindo os altos padrões que prevalecem até hoje (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


O modelo Henry E. Steinway 4810 da Mont-Blanc apresenta a combinação de preto e ouro, baseada no clássico piano de cauda Steinway. O corpo é feito em laca negra profunda e detalhes folheados a ouro. A tampa da caneta-tinteiro é decorada com a harpa ou piano overstrung, em ouro 750, que é um ícone do famoso instrumento musical.

A forma do clipe, banhado a ouro, remete às braçadeiras de parafuso usadas para dobrar a borda do piano de cauda. O nome Steinway & Sons está escrito em ouro no anel do cone. A pena em ouro 750 possui  a gravação de um retrato do próprio Henry E. Steinway. Com a tampa vazada, a pena em ouro fica à mostra, e é possível ver sua decoração, com um retrato em filigrana de Steinway.

Jonathan Swift – escritor e autor de As Viagens de Gulliver

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
A Edição Escritores 2012 é dedicada ao britânico-irlandês Jonathan Swift: escritor, poeta e ensaísta, é considerado o mais importante autor satírico da língua inglesa, e responsável pela obra-prima As Viagens de Gulliver (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


Swift escreveu mais de 30 obras, mas foi com As Viagens de Gulliver, publicada em 1726, que se tornou lembrado em tood o mundo. O desenho das peças é inspirado no célebre livro, em particular no episódio que se passa em Lilliput, onde Gulliver faz a sua primeira viagem.

O corpo da caneta é feito em laca negra, decorada com fios que remetem às cordas usadas para amarrar Gulliver na praia, em Lilliput. A tampa, em resina preciosa negra, tem o formato do popular chapéu de três pontas usado pelos comerciantes do século XVIII, no livro, e traz a assinatura de Jonathan Swift.

O clipe folheado em platina representa a escadaria representada na obra – em que o prefeito de Lilliput tinha de subir para conseguir conversar com Gulliver. Finalmente, a pena em ouro 18k, banhada com ródio, é delicadamente desenhada com uma intrincada gravação do exército imperial da cidade imaginada por Swift, marchando entre as pernas de Gulliver.

Johannes Brahms – compositor, maestro e pianista

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
O homenageado da edição 2012 da coleção Donation Pen é Johannes Brahms (1833-1897), que se tornou mundialmente reconhecido como um grande compositor, maestro e pianista (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


A tampa e corpo da caneta são feitos em resina negra preciosa, com detalhes banhados com platina. O clipe possui o formato de um diapasão, e as cinco linhas da partitura, que decoram a tampa, lembram sinfonias e as orquestras.

A tampa vem com a gravação da assinatura de Brahms. A pena, na versão tinteiro, é feita em ouro 14 k, banhada com ródio. Para completar, cada edição especial Johannes Brahms vem acompanhada de um diapasão: uma ferramenta essencial que guia as notas emitidas pelo músico para se manterem no tom perfeito.

Honoré de Balzac – escritor francês de romances

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
Um dos maiores novelistas da França, Honoré de Balzac (1799-1850), foi homenageado em 2013 na Edição Especial Escritores. Ele deixou um legado de aproximadamente 100 romances e peças, como A Comédia Humana (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


A maior inspiração para o design desta caneta vem do dandismo – modo exagerado de se vestir – da sociedade europeia do século XIX. O corpo em resina preciosa preta e laca cinza, com o refinamento do seu guillochê, é uma referência ao corte das calças, típico dos mais elegantes cavalheiros parisienses.

A forma em grandes dimensões da caneta espelha o biotipo "roliço" de Balzac. O clipe decorado com turquesa laqueada, no topo, simboliza a bengala do autor, ricamente enfeitada. Os anéis folheados com platina e ouro envolvem o instrumento de escrita a partir do cone, muito simples, à tampa, e se referem às diferentes classes que emergiram na sociedade francesa, no início do século XIX. Esse é o tema central na obra de Balzac. As iniciais do homenageado estão gravadas em laser na pena de ouro 750, banhada com ródio.

Carlo Collodi – escritor italiano, autor de Pinóquio

Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet
Carlo Collodi, nascido Carlo Lorenzini, em 24 de novembro de 1826, em Florença, Itália, criou com sua pena uma das obras-primas da literatura infantil: As Aventuras de Pinóquio, publicada em 1883 (foto: Heitor Antonio/Fotos: Reprodução/Internet)


A matéria-prima desta caneta é a resina preciosa de cor marrom escuro. Os coloridos personagens do livro Pinóquio, incluindo a baleia, o grilo, a raposa, o gato e a fada madrinha, aparecem esqueletizados em torno da tampa. Um parafuso incrustado no clipe simboliza as juntas do famoso marionete que queria ser menino. Já o cone, remete ao lendário nariz de Pinóquio. O número da edição limitada e a assinatura de Collodi decoram o alto da tampa. A pena em ouro champanhe 18K vem com a gravura do grilo falante.

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