Estudante da UFMG alerta para expansão da área de eucalipto em Minas

Seja para servir como carvão vegetal nas siderúrgicas, seja como base para a produção de papel, essa árvore, segundo a dissertação de mestrado, está substituindo a vegetação típica da região do Vale do Aço em nosso estado

24/11/2014 12:34

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Segundo a pesquisa do mestrando da UFMG, as áreas com plantio de eucalipto cresceram 12%, e a de mata nativa diminuiu 9%, nos municípios analisados (foto: Pixabay)
Que faz a viagem entre Minas Gerais e o Espírito Santo, especialmente pela BR-262, percebe que a paisagem vem adquirindo, cada vez, extensas áreas de cultivo de eucalipto. Essa presença chamou a atenção do geógrafo Carlos Pires, que, em estudo nos municípios da bacia hidrográfica do rio Piracicaba e da região metropolitana do Vale do Aço, constatou que o plantio do eucalipto tem impactado a flora e a fauna. Esse avanço do reflorestamento com essa espécie – entre 1985 e 2010 – foi observado principalmente sobre mata nativa e áreas de pastagem.

Os dados fazem parte de sua dissertação de mestrado, defendida em maio deste ano, no Instituto de Geociências da UFMG. Segundo o pesquisador, no período, houve aumento de 12% das áreas de eucalipto e diminuição de 9% da mata nativa nos municípios analisados. A pesquisa indica que, até 2035, a presença do eucalipto pode aumentar em até quatro vezes. "Em 1985, 80% das manchas de mata nativa estavam separadas por distância de até 50 metros. Em 2010, esse índice caiu para pouco mais de 50%. Nossa previsão é de que, nos próximos 25 anos, as manchas de mata nativa separadas por, no máximo, 50 metros representem apenas 45% das manchas verdes", afirma.

Carlos Pires contou com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e destaca o avanço do plantio de eucalipto na região: de 20%, em 1985, para 65%, em 2010. "Partimos do pressuposto de que, quanto mais próxima ao cultivo de eucalipto uma área está, maior a tendência de ser ocupada por essa cultura. Isso mostra que as áreas de floresta estão ficando isoladas", explica.

De acordo com o pesquisador, há uma relação muito próxima entre a substituição da mata nativa e as indústrias siderúrgicas, de celulose e de mineração. Além de ser matéria-prima na produção do carvão vegetal que abastece os fornos das siderúrgicas, o eucalipto também é fonte de celulose para a produção de papel. "São muitos segmentos de negócio que demandam o insumo na região. Em um primeiro momento, derrubaram a mata para usar a madeira nos fornos de carvão. Com o passar do tempo, a legislação ficou mais rigorosa, e esse uso, mais difícil. Com isso, o eucalipto avançou também sobre áreas de pastagem", diz.

Perdas

Outra conclusão da pesquisa mostra que, em 2035, a presença das áreas de mata nativa ocorrerá principalmente em unidades de conservação de proteção integral, como o parque estadual do Rio Doce, o que demonstra a força do impacto do reflorestamento com eucalipto na região. Das áreas que mudaram para eucalipto, entre 1985 e 2010, a maior parte era formada por floresta nativa (49%) e de pastagem (47%). Essa presença do eucalipto, segundo Carlos Pires, gera fortes impactos sobre fauna e flora.

"Percebemos um fenômeno de isolamento das áreas de mata nativa e de campos naturais e um aumento da conectividade das áreas de reflorestamento com eucalipto. Notamos também que a mata não sofreu com a pressão do eucalipto apenas no interior das unidades de conservação de proteção integral. Esses fatores influenciam as relações ecológicas, especialmente para a fauna, pois uma área ocupada por eucaliptos tende a oferecer menos condições ambientais e nutritivas para a sobrevivência de animais do que uma área de mata nativa", conclui.

(com Boletim UFMG)

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