Regra dos 5 segundos: vale comer um alimento que caiu no chão?

Muita gente fica em dúvida se é mito ou não a teoria de que se um produto cai no chão e for pego rapidamente - em menos de cinco segundos - ele não se torna contaminado por bactérias

por Fernanda Nazaré 25/11/2014 16:42

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Pixabay
O ambiente em que um alimento cai no chão e até mesmo o tipo de piso podem influenciar na quantidade de micro-organismos que o contaminam (foto: Pixabay)
Tem gente que fala que são três segundos, outras pessoas, cinco. Mas a questão é: comer um alimento que teve contato com o chão, mesmo que por poucos segundos, ainda está livre de bactérias? A curiosidade bateu à porta e a reportagem da Encontro foi atrás de respostas.

Um estudo publicado por Anthony Hilton, professor de microbiologia da Universidade Aston, em Birmingham, Inglaterra, afirma que alimentos pegajosos e úmidos são mais propensos a serem contaminados quando caem no chão do que os secos. O tipo do piso também influencia na contaminação. A quantidade de bactérias transferidas para os alimentos foi maior em pisos laminados ou de azulejos do que em carpetes.

A pesquisa publicada em março deste ano analisou os níveis de bactérias comuns, como a E. coli, transferidas a diferentes alimentos – incluindo torradas, biscoitos, balas e massas – que foram deixados no chão em intervalos de tempo de 3 a 30 segundos.

Para o professor Gecernir Colen, da área de microbiologia de alimentos e industrial da UFMG, é praticamente impossível estabelecer um padrão de segundos "seguros" contra a contaminação da comida por microorganismos presentes no chão. Afinal, são muitas as variáveis para se chegar a esse cálculo, como, por exemplo, os tipos de piso, o volume de tráfego de pessoas pelo ambiente, o tipo de comida que caiu, além da imunidade da pessoa que vem a consumir o alimento que teve contato com o chão. "Não existe nenhuma comprovação científica. O conselho é que a pessoas desconsiderem essa regra dos cinco segundos. Às vezes, o nível de carga microbiana é maior num ponto do que em outro, tanto no ambiente quanto no alimento. Esse ato, do ponto de vista higiênico, não é correto", explica.

Apesar da recomendação, ainda segundo o microbiologista, as bactérias não tão ruins para o nosso organismo. "Recentemente, descobriu-se que existe uma série de micro-organismos que fazem até bem. Por exemplo, as pessoas que moram na rua têm uma bactéria que os deixam imunes à doença de pele. Esse micróbio 'come' o suor e evita o mau cheiro", diz.

Discovery Channel/Reprodução
Os especialistas em efeitos especiais Adam Savage e Jamie Hyneman testaram a teoria dos 5 segundos e mostraram que a contaminação independe do tempo em que o alimento fica caído no chão (foto: Discovery Channel/Reprodução)


Caçadores de Mitos

O programa de TV norte-americo MythBusters – Caçadores de Mitos, exibido pelo Discovery Channel, já tentou desvendar a lenda dos cinco segundos. Eles contaminaram pisos de forma uniforme e usaram dois tipos de comida, uma úmida e outra seca (um pastrami e um biscoito salgado).

As amostras ficaram expostas de dois a seis segundos no chão. O pastrami apresentou um maior nível de bactérias, mas isso, em relação ao tempo de contato com o chão, foi inconclusivo. "Todas as amostras apresentaram um índice de contaminação, independente do tempo que ficaram no piso", afirmam os pesquisadores Jamie e Adam. A conclusão a que chegaram foi: não há tempo seguro de contato do alimento com o chão que evite a contaminação.

Veja esse episódio de Caçadores de Mitos abaixo (em inglês):

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