Casal mineiro gera filhas gêmeas por meio da barriga de aluguel

Janderson e Pedro moram em Governador Valadares e optaram por gerar os bebês na Tailândia, já que, no Brasil, o "aluguel" da gestação é proibido

por João Paulo Martins 26/11/2014 15:36

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Facebook/Janderson Lima/Reprodução
O casal mineiro Janderson Lima (esq.) e Pedro Maciel optaram pela barriga de aluguel, e a inseminação artificial foi feita em duas mulheres na Tailândia, que prestam serviço de barriga de aluguel (foto: Facebook/Janderson Lima/Reprodução)
"Minha família estava muito mais ansiosa do que se estivesse aguardando os bebês num hospital aqui no Brasil. Eles tiveram de esperar 30 dias para nosso retorno com as meninas", diz o ortodontista Janderson Antônio de Lima, morador da cidade de Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce, a 320 km de Belo Horizonte. Junto com o companheiro, o empresário Pedro Maciel Filho, viajou quase 25 horas da Tailândia até o Brasil, após acompanhar o nascimento das filhas gêmeas Luísa e Valentina. Elas foram geradas por inseminação artificial, pelo método de barriga de aluguel.

No Brasil, a legislação não permite a comercialização da gestação. A lei em vigor, e que foi reforçada por uma resolução do Conselho Federal de Medicina, em 2013, permite que um membro da família com separação de até um grau – irmã, mãe ou avó – carregue voluntariamente o embrião do casal. Essa forma de gestação é chamada de barriga solidária. "Não tínhamos ninguém que se encaixasse nesse perfil. No exterior, é natural o aluguel de barriga, e já tínhamos conhecimento disso, portanto, decidimos fazer", explica Janderson.

O ortodontista conta que muitas pessoas questionaram o casal sobre a possibilidade de adotar uma criança, já que, no Brasil, existem cerca de 44 mil crianças e adolescentes na fila da adoção. "Optamos pela barriga de aluguel porque queríamos ter filhos que fossem biologicamente nossos. Apesar de acharmos que a adoção é uma dádiva, e que deve ser seguida, queríamos ver nossas características nas crianças. É algo normal, a que todo mundo tem direito", afirma Janderson.

Facebook/Janderson Lima/Reprodução
As gêmeas Luísa e Valentina já estão sendo paparicadas por toda a família, que teve de esperar 30 dias pela chegada das meninas (foto: Facebook/Janderson Lima/Reprodução)


Ele explica que o processo até o nascimento das gêmeas durou cerca de dois anos, e que o casal se preparou bastante para receber as crianças. A agência que provê o serviço de inseminação artificial e que foi escolhida pelos mineiros fica em Tel Aviv, capital de Israel. Eles a conheceram por meio de um amigo que mora na cidade israelense e chegou a usar o serviço. Pedro e Janderson gastaram R$ 200 mil reais para realizar o sonho de serem pais. "Tudo funciona muito bem lá fora. A cabeça das pessoas que trabalham com isso já está preparada. Na Tailândia também, apesar de que hoje já não permitem mais a barriga de aluguel. Todo o processo, hoje, é feito nos Estados Unidos e no Nepal", conta Janderson.

Curiosamente, os mineiros não esperavam o nascimento de gêmeos. Como foram inseminados dois embriões em duas tailandesas diferentes, a expectativa eram dois filhos. Só que uma gestação acabou se tornando duas, e, assim, vieram ao mundo Luísa e Valentina. "Foi uma surpresa muito boa", diz o ortodontista. Agora, ele e seu companheiro aguardam o nascimento de Victor, o terceiro filho do casal homoafetivo – aliás, o quarto dos bebês em Governador Valadares precisou ser ampliado para receber os três berços.

Questionado se pretendem ter mais filhos no futuro, incluindo uma possível adoção, Janderson logo responde: "Por enquanto não pensamos em ter mais filhos, por que três já é bem razoável".

Entenda como foi feito o processo "internacional" de inseminação artificial – isso porque os óvulos foram escolhidos de uma doadora sulafricana e, depois, implantados em tailandesas que oferecem "serviço" de barriga de aluguel:

Heitor Antonio/Encontro Digital
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)

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