Com a primavera e o verão, muitos animais silvestres invadem a área urbana

De onça-parda a coruja, a fauna típica de nossa região têm perdido cada vez mais espaço para empreendimentos imobiliários na região centro-sul de Belo Horizonte, e passam a disputar o "habitat" com os humanos

por Fernanda Nazaré 02/12/2014 10:09

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Corpo de Bombeiros GO/Divulgação
É muito comum que filhotes de onça-parda sejam encontrados nos condomínios que fazem limite com Belo Horizonte, como os vales do Sereno e dos Cristais (foto: Corpo de Bombeiros GO/Divulgação)
A expansão imobiliária do bairro Belvedere, no fim da década de 1990, criou uma verdadeira corrida das classes A e B para conseguir um apartamento de luxo nessa área nobre da região centro-sul de Belo Horizonte. Atualmente, com quase a totalidade de seus terrenos já consumidos, a expansão do setor seguiu para os condomínios em Nova Lima, nos vizinhos Vila da Serra e Vale do Sereno. Mas, nessa história, quem ficou sem lugar para morar foram os animais silvestres da região. O Ibama tem registrado cada vez mais a "invasão" dessa fauna nos condomínios limítrofes da capital mineira.

De acordo com a veterinária do Centro de Triagem do Ibama (Cetas/BH), Cecília Barreto, esta época do ano é a mais crítica. "A maioria dos animais reproduz na primavera. Estamos recebendo muitos filhotes de coruja, bem-te-vi, sabiá, tucano, mico e gambá. Também chegaram 50 filhotes de papagaio do Triângulo Mineiro", afirma. Ainda segundo a especialista, apenas na sede do órgão em Belo Horizonte, mais de 70 animais estão em recuperação.

Geralmente, os filhotes de aves caem dos ninhos. Os das outras espécies se perdem da mãe, são eletrocutados em cercas elétricas, atropelados ou ainda não estão condições de sobreviverem sozinhos. Muitos são encontrados debilitados dentro de condomínios e, segundo orientação da veterinária, o Ibama atende apenas ao chamado de moradores para os casos de resgate de animais feridos.

"Como fomos nós, os humanos, que invadimos o território dos bichos, muitos deles, como micos, gambás e corujas, se adaptaram ao meio urbano que criamos. Se nos chamarem apenas para retirar o animal, não atendemos, pois eles estão em seu habitat. O Ibama atende apenas os que estão em situação de risco", explica Cecília Barreto.

Animais de maior porte e que levam algum risco aos moradores, como a onça-parda, também podem ser vistos na região do Vale do Sereno e do Vale do Mutuca. Se você presenciar algum animal em situação de risco, ou que seja uma ameaça para os moradores, o aconselhável é chamar a polícia militar de meio ambiente, como diz a veterinária do Ibama.

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
Como explica a veterinária do Ibama, animais como o gambá se adaptaram aos centros urbanos e acabam sendo vítimas da ação do homem (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)


Monitoramento

De acordo com dados do Cetas/BH, apenas no ano passado foram recebidos 7.795 animais silvestres no centro de recuperação. Nos últimos três anos, já chegam a mais de 21 mil indivíduos. Dentre eles, estão os de maior porte como o lobo-guará e a onça-parda. O Ibama começou a monitorar o avistamento desses animais em 2003, quando uma onça adulta, de 45 kg, foi atropelada na BR-040, no viaduto do Mutuca. Desde então, essa espécie foi vista nos limites de BH, Nova Lima, Rio Acima e Brumadinho.

Quem também monitora a vida silvestre é a ONG Promutuca, nos vales do Mutuca e dos Cristais, onde há muitos casos como esse. Câmeras de vigilância foram instaladas e já registraram a presença da onça-parda.

Cecília Barreto aconselha aos moradores da região que tenham paciência e não alimentem os animais. "Eles sempre estão em busca de comida, e, se encontram, voltam em bando". E ainda, se alguém deparar com um animal de maior porte, a melhor atitude é não correr, pois estará agindo como presa em potencial e aguçando o instinto de caça do predador.

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