Moradores reclamam de transtornos gerados pelos jogos no Mineirão

As queixas levaram à realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas. Autoridades presentes reconheceram o problema e prometeram soluções

04/12/2014 12:30

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Além dos tumultos, moradores reclamam da sujeira deixada pelos torcedores no entorno do Mineirão. Segundo eles, isso se deve à proibição de consumo de bebida alcoólica dentro do estádio (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A proibição da venda de bebidas alcoólicas no Mineirão e o retorno dos vendedores ambulantes à esplanada do estádio foram algumas das reclamações apresentadas por moradores da região em audiência pública realizada pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Os participantes da reunião salientaram que, no passado, o Mineirão recebia um número bem maior de torcedores do que atualmente é permitido e, ainda assim, não havia transtornos. Eles lembraram que os problemas não aconteceram durante o evento internacional e reivindicaram a continuidade do chamado "padrão Fifa", com a venda de bebidas alcoólicas exclusivamente dentro do estádio e a proibição de circulação nas ruas do entorno do Mineirão durante os eventos.

Os problemas enfrentados pelos moradores, especialmente os que residem no bairro São Luiz, foram apresentados pelo deputado Sargento Rodrigues (PDT), autor do requerimento para a realização da reunião. "São carros estacionados nas portas de garagens, torcedores urinando nas vias públicas, churrascos feitos em cima da grama, extorsão de flanelinhas, agressões verbais e físicas", diz o parlamentar.

O deputado lembra ainda que todos esses atos constituem crimes, contravenções penais ou infrações de trânsito, e precisam ser inibidos. Ele mostrou também fotos e um vídeo produzido pela equipe da ALMG a pedido do parlamentar durante o último jogo entre Cruzeiro e Atlético, para que ficassem claros os motivos das reclamações da população.

Sargento Rodrigues questionou também a razão para, em dias de jogos, o estacionamento ser proibido ao longo de avenidas como a Abrahão Caram, onde é permitido estacionar em outros momentos. "Para o torcedor, todas as providências já foram tomadas – para garantir a fluidez do trânsito, a segurança no estádio, tudo. Mas e o morador? Eles estão pagando toda a conta", reclama.

Ricardo Barbosa/Divulgação
As autoridades presentes na audiência da ALMG prometeram analisar os problemas apontados pelos moradores da região do estádio (foto: Ricardo Barbosa/Divulgação)


O comandante da 17ª Companhia da Polícia Militar, capitão Ronaldo Sanglard Bastos, disse que o efetivo policial precisa ser utilizado para conter tragédias e não consegue resolver problemas menores. "Faltando meia hora para o início do jogo, todo mundo quer entrar ao mesmo tempo, aí precisar ir lá e conter a tragédia anunciada", afirma. De acordo com ele, é preciso atacar a causa do problema: a proibição de venda de bebidas alcoólicas no interior do estádio, o que atrairia os torcedores mais cedo para dentro do Mineirão.

"Por quê, antes, o estádio recebia 100 mil torcedores e esses problemas não aconteciam e, agora, com metade dos torcedores, acontece tudo isso?", questiona. Segundo dados da PM, ao longo deste ano, já foram presos 168 flanelinhas durante os eventos esportivos e mais de 500 notificações foram encaminhadas ao Departamento de Trânsito (Detran).

De acordo com o secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Giorgio Filho, será lançada ainda este mês uma licitação para que sejam instaladas feiras de alimentos e bebidas em dias de jogo. Dessa forma, ele acredita que os torcedores ficariam mais concentrados nesses locais, e não espalhados pelos bairros.

Ele disse, ainda, que já foi encaminhada uma proposta de proibição do uso de churrasqueiras nas vias públicas. "Infelizmente não temos em nossa legislação norma que proíba o consumo de bebidas alcoólicas nas ruas e as pessoas usam isso em sua defesa: dizem que têm o direito de estar ali", explica.

Sobre a proibição de estacionamento nas avenidas Abrahão Caram e Carlos Luz, a gerente de ação regional Noroeste/Pampulha da BHTrans, Maria Inês de Oliveira Franco, lembrou que uma das faixas nessas avenidas é exclusiva para ônibus em dias de jogos, e que são necessárias as duas outras faixas para garantir a fluidez do trânsito. Nas ruas do interior dos bairros do entorno, ela disse estar ciente do problema, agravado pelo fato de essas vias serem estreitas.

(com assessoria da ALMG)

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