Para coordenador da Comissão da Verdade, militares não falaram porque não quiseram

Ele deixou claro que não houve nenhum tipo de revanche contra as forças armadas, e que aqueles que foram convidados a depor tiveram o direito do silêncio garantido

10/12/2014 14:22

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José Cruz/Agência Brasil/Divulgação
A presidente Dilma recebe das mãos do coordenador da Comissão da Verdade o relatório da investigação sobre os atos ilícitos realizados pela Ditadura Militar no Brasil (foto: José Cruz/Agência Brasil/Divulgação)
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, rebateu as críticas feitas por militares da reserva, durante todo o processo de investigação dos atos cometidosmpela Ditadura Militar, de que o trabalho do colegiado foi parcial, revanchista e não deu espaço à versão das forças armadas sobre os fatos apurados. Dallari fez a defesa após entregar o relatório final da comissão à presidenta Dilma Rousseff, na quarta-feir,a dia 10 de dezembro.

"A critica de que nós não teríamos ouvido os militares me parece não ter nenhum fundamento. Convocamos, abrimos para todos os que quisessem depor a possibilidade de depoimentos reservados. O que houve, de maneira objetiva, é que grande parte dos militares que compareceu preferiu ficar em silêncio, não falar, um direito que foi amplamente respeitado. Exercemos o direito de convocação, mas, uma vez presente, não pudemos obrigar ninguém a falar. A imprensa pôde registrar a recusa em falar", avalia Dallari.

O coordenador do grupo explica que o relacionamento entre a Comissão da Verdade e as forças armadas foi "adequado", mas critica o conteúdo das informações prestadas pelos militares para os trabalhos do colegiado. "Não misturamos as coisas, tínhamos clareza da relação institucional de que, como órgão de estado, tínhamos que ter um relacionamento adequado com as forças armadas, e tivemos. Mas isso não nos impediu, em nenhum momento, de sermos críticos em relação à substância da contribuição", pondera. "Do ponto de vista do relacionamento, não há reparos, o que há é uma dificuldade de aceitar a substância das informações que recebemos", acrescenta.

Segundo o presidente da CNV, os membros da comissão estão "céticos" em relação às informações de que documentos buscados pelo grupo não existem mais e, por isso, não foram entregues. "Não temos nenhum indício claro dessa destruição de documentos, em dois anos e sete meses de funcionamento da comissão. Não apareceu ninguém que tenha nos dito, mesmo reservadamente, que participou ou que tenha visto essa destruição. Portanto, não acreditamos".

O coordenador citou o exemplo de prontuários médicos de vítimas de violações, que deveriam estar em hospitais, mas foram encontrados no arquivo pessoal do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici.

O relatório final da CNV, com 4,4 mil páginas divididas em três volumes, faz um relato das atividades desenvolvidas pelo colegiado durante os dois anos e sete meses de investigações, além de fatos apurados, conclusões e recomendações. Segundo Pedro Dallari, uma das conclusões mais importantes do documento é a confirmação de que as graves violações aos direitos humanos durante o período da ditadura militar foram praticadas de maneira sistemática e configuram crime contra a humanidade.

O relatório lista os 434 mortos e desaparecidos vítimas da ditadura militar e também aponta os nomes de 377 responsáveis pelas violações de direitos humanos no período, entre eles os cinco generais que foram presidentes da República entre 1964 e 1985.

(com Agência Brasil)

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