"O relatório é tão risível e parcial quanto a CNV", diz presidente do Clube Militar

O general Gilberto Rodrigues Pimentel critica a ausência dos atos cometidos pelos grupos de resistência à Ditadura Militar no documento apresentado pela Comissão Nacional da Verdade

11/12/2014 16:00

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O Jornal/Arquivo JCom/D.A Press
Estudantes participam de manifestação contra a ditadura em 1968: segundo Comissão da Verdade, foram 434 vítimas do regime militar catalogadas pela instituição (foto: O Jornal/Arquivo JCom/D.A Press)
No dia seguinte à divulgação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que trouxe, em três volumes e 3.380 páginas, 434 vítimas da Ditadura Militar no Brasil, entre 1964 e 1985, o general Gilberto Rodrigues Pimentel, presidente do Clube Militar, associação que representa os militares do exército brasileiro, diz que a comissão não teria seguido sua missão original. "O objeto da lei e o prazo em que ocorreram os fatos a investigar, tudo através de decisões internas, legislando em causa própria sem que os poderes desrespeitados reagissem, perdeu, na origem, a imparcialidade que devia orientar seus trabalhos e, consequentemente, sua credibilidade", diz o general, em texto divulgado no portal da instituição.

Gilberto Pimentel é ainda mais duro ao dizer que o relatório traz uma "coleção de meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade cuja divulgação confirme a orientação socialista dos comissários". Ele critica também a ausência das ações de terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos "esquerdistas" no conteúdo do relatório apresentado à presidente Dilma Rousseff – que se emocionou ao discursar após receber os arquivos. "É peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira. O relatório é tão risível e parcial quanto a CNV", reclama o general.

Como contrapartida à CNV, o Clube Militar publicou uma lista de 126 "vítimas" das ações dos grupos contrários à ditadura. "Os Clubes Naval, Militar e de Arenoáutica prestam homenagem póstuma aos 126 brasileiros que perderam suas vidas pelo irracionalismo do terror, nas décadas de 1960 e 1970. Suas histórias, absurdamente, foram desprezadas pela Comissão Nacional da Verdade, um desrespeito às suas memórias e aos seus familiares", afirma o texto do cabeçalho da lista divulgada pelos militares, que foi publicada em um jornal diário no Rio de Janeiro.

Divulgação
Clique para ampliar a lista e conferir os nomes das "vítimas" dos terroristas, segundo o Clube Militar (foto: Divulgação)


Por sua vez, o coordenador da CNV, Pedro Dallari, fez um apelo para que o Senado se comprometa a cobrar das forças armadas o reconhecimento pelas violações aos direitos humanos cometidas entre 1964 a 1985. O pedido foi feito durante audiência pública da subcomissão permanente da Memória, Verdade e Justiça e teve apoio do presidente do colegiado, senador João Capiberibe (PSB-AP).

Dallari diz que não tem dúvida do compromisso democrático das forças armadas contemporâneas. Por outro lado, ressalta que, depois de expostos todos os fatos que constam no relatório, o silêncio gera uma "eloquência enorme". Para ele, o Brasil só terá certeza de que nunca mais atos como os praticados na época da ditadura voltarão a acontecer quando houver reconhecimento dos crimes cometidos. "Só assim, essa parte da história do Brasil será superada", afirma.

(com Agência Brasil)

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