Leishmaniose não é um bicho de sete cabeças

Prevenção ainda é o melhor remédio. No Brasil, tratamento dos animais infectados é proibido, o que gera muita controvérsia

05/01/2015 18:57

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Pixabay
Segundo a professora de Veterinária da UFMG, a maioria dos cães infectados não apresenta sinais clínicos da leishmaniose (foto: Pixabay)
Questões que perpassam a leishmaniose visceral são bastante polêmicas. Os estudos sobre transmissão, sintomas, tratamento e cura são recentes e constantemente novas descobertas acontecem. Por isso, é necessário estar atento aos cuidados necessários para evitar a doença e saber quais medidas devem ser tomadas caso um animal esteja infectado.

As leishmanioses são doenças parasitárias causadas por um protozoário e são encontrados dois tipos de manifestação clínica no Brasil: a leishmaniose tegumentar e a leishmaniose visceral. A tegumentar ocasiosa feridas na pele e nas mucosas, tendo como hospedeiros principalmente animais silvestres. A visceral é causada pelo parasita Leishmania infantum e acomete os órgãos internos, principalmente o baço, o fígado e a medula óssea. É considerada mais grave do que a leishmaniose tegumentar, podendo levar humanos à morte. O reservatório principal desse parasita são os cães, que podem se tornar potenciais disseminadores da doença.

A transmissão da leishmaniose visceral é vetorial e ocorre, no Brasil, a partir da picada do flebótomo (parece um pernilongo) da espécie Lutzomyia longipalpis. Esses insetos possuem apenas 3 mm e são praticamente imperceptíveis. As fêmeas consomem sangue humano e de animais e os machos se alimentam de seiva de plantas e frutas. Para que ocorra a transmissão da doença, é necessário que o inseto pique um animal infectado e depois pique um animal ou um humano sadio.

A maioria dos cães infectados não apresenta sinais clínicos da leishmaniose, o que dificulta o controle da doença, como afirma a professora Danielle Ferreira Magalhães Soares, da Faculdade de Medicina Veterinária da UFMG. “Uma pessoa possui um cachorro que aparentemente está sadio. Porém, se o cão estiver infectado e o exame para detectar a doença não for feito periodicamente, o animal poderá ser fonte de infecção de leishmania para os flebótomos”, explica. Por isso, deve-se estar sempre atento aos cuidados que devem ser tomados para prevenção da leishmaniose.

James Gathany/Wikimedia/Reprodução
O mosquito-palha tem apenas 3 mm, é quase imperceptível, e as fêmeas é que se alimentam de sangue humano e de animai (foto: James Gathany/Wikimedia/Reprodução)


Para prevenir a transmissão da doença em animais, é necessário tomar duas medidas principais: a vacinação dos cães e o uso de repelentes ou de coleiras. A vacinação é uma medida fundamental, porém garante apenas a proteção dos cães. Além disso, a vacina falha em cerca de 20% dos animais. Por isso, combinar com outras medidas é imprescindível. O uso de repelentes ou da coleira com o produto deltametrina 4% também é importante, mas a duração desses produtos deve ser considerada, utilizando-os de acordo com suas validades. Além dessas medidas, aconselha-se a não levar os cães para passear durante a noite, pois o período de atividade dos flebótomos é noturno. A realização de exames todos os anos para observar se o cão está infectado também é importante. Os exames podem ser feitos gratuitamente pela prefeituras, ou pelo veterinário de confiança.

Os principais sinais da doença no cão são emagrecimento, crescimento exagerado das unhas, queda dos pelos, apatia, conjuntivite e lesões na pele. Em humanos, os sintomas que podem ser encontrados são febre, tosse seca, fraqueza, palidez, perda de apetite, emagrecimento e pode haver aumento do volume abdominal, por crescimento do baço e/ou fígado. Caso haja identificação de algum dos sintomas, a Secretaria de Saúde aconselha procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico e o tratamento em humanos são gratuitos.

O tratamento da doença em animais é proibido no Brasil atualmente. Existem várias linhas de pesquisa que demonstram que é possível tratar a doença de maneira efetiva e reduzir os sinais clínicos, porém não existem evidências de cura parasitológica permanente. O desafio encontrado é em relação à fiscalização dos animais tratados. O veterinário possui controle do animal somente dentro de seu consultório. Porém, a partir do momento em que os cães são levados de volta para casa, não há como fiscalizar o tratamento dado ao animal ou as mudanças pelas quais o mesmo pode passar. Como a leishmaniose é muito instável, pode ser que a doença se desenvolva novamente, fazendo com que o cão volte a ser um risco de transmissão. Por isso, a conduta recomendada pelo Ministério da Saúde caso o animal seja positivo para a doença é a eutanásia do animal.

(com assessoria da Faculdade de Medicina Veterinária da UFMG)

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