Cientistas criam tijolo que combate a dengue e a febre chikungunya

O produto é colocado em locais com água parada, e impede a proliferação das larvas do mosquito Aedes aegypti

07/01/2015 14:19

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Pixabay
Além da dengue, que é um sério problema no Brasil, o mosquito Aedes aegypti transmite a febre chikungunya, e sua reprodução se dá em locais com água parada (foto: Pixabay)
Pesquisadores da UFMG desenvolveram um dispositivo que, em contato com a água e a radiação solar, impede a eclosão dos ovos do mosquito Aedes aegypti e mata as larvas recém-nascidas. Trata-se de um tijolo de concreto autoclavado tratado quimicamente, cuja densidade é menor que a da água, o que o faz flutuar.

A novidade é que a tecnologia contribui também para a eliminação dos vetores de outras doenças que se originam em fase aquática. Assim, além da dengue, o tijolo combate a malária e as febres amarela, chikungunya e do Nilo Ocidental.

A febre chikungunya chegou ao Brasil recentemente e já registrou grande número de casos. Quanto à febre do Nilo, o primeiro caso foi confirmado no Brasil em dezembro de 2014, em um agricultor do interior do Piauí.

O grupo de pesquisadores da UFMG estudou o processo de proliferação do Aedes aegypti e verificou que, após a ovulação, os ovos eclodem e formam larvas, que se desenvolvem em pupas. As pupas se transformam rapidamente em um mosquito – de seis a 12 horas. "Nossa intenção era trabalhar um processo ambientalmente correto e que contribuísse com os métodos e tecnologias já disponíveis para evitar a proliferação da dengue", conta o professor Jadson Belchior, do departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UFMG, coordenador da pesquisa, iniciada em maio de 2013.

Luiza Ananda/UFMG/Divulgação
Pesquisadores da UFMG criaram uma espécie de tijolo em cubinhos que é capaz de impedir a proliferação das larvas de mosquitos causadores de doenças (foto: Luiza Ananda/UFMG/Divulgação)


Manta flexível

Em um segundo momento do processo de desenvolvimento da tecnologia, os pesquisadores se voltaram para outra questão: em alguns locais, como calhas, o material poderia não ser o formato mais adequado para utilização. Foi desenvolvida uma manta flexível de tecido sintético com as mesmas propriedades químicas dos tabletes, mas que facilita a adaptação a determinadas estruturas, já que assume o formato e adere à superfície em que for colocado.

Jadson Belchior afirma que o dispositivo, em princípio, tem vida útil média de quatro a cinco meses. Quando está inerte por falta de água ou luz, o material não perde as características. "Havendo água e luz continuamente, a durabilidade é de cerca de quatro meses. Se, por exemplo, houver um intervalo de dois meses na atividade, a durabilidade sobe para seis meses", salienta. Com relação à concentração, o professor diz que, em uma caixa d’água de 200 ou 500 litros, o ideal é que a superfície seja coberta pelo material.

O princípio ativo utilizado não é nocivo à saúde humana nem afeta a potabilidade da água. A aprovação da tecnologia está em tramitação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

(com Assessoria de Imprensa da UFMG)

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