Fexaramine: remédio engana o cérebro e "mata a fome"

Grupo de pesquisadores americanos cria medicamento que pode vir a substituir a cirurgia bariátrica, já que promete a redução de peso e de açúcar no sangue por meio da indução da sensação de saciedade no corpo

por Fernanda Nazaré 13/01/2015 10:01

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Salk Institute for Biological Studies/Divulgação
A equipe responsável pela descoberta da fexaramine (da esq. para a dir.): Ruth Yu, Sungsoon Fang, Annette Atkins, Ronald Evans, Michael Downes and Sandra Jacinto (foto: Salk Institute for Biological Studies/Divulgação)

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Ela está sendo chamada de "refeição imaginária": pílula promete enganar o cérebro e fazer o corpo acreditar que está sendo alimentado normalmente. De acordo com o autor do estudo, Ronald Evans, diretor do Salk's Gene Expression Laboratory, que fica na Califórnia, Estados Unidos, a equipe de pesquisadores desenvolveu um composto chamado fexaramine, que engana o sistema digestivo, ou seja, emite um comando ao cérebro induzindo o corpo a achar que está consumindo calorias como em uma refeição tradicional.

A pesquisa estudou um grupo de ratos obesos que tomou uma pílula por dia durante cinco semanas. As cobaias pararam de ganhar peso, perderam gordura e diminuíram os níveis de açúcar e de colesterol no sangue, em comparação com os animais que não receberam a medicação. Além disso, o remédio elevou a temperatura corporal, indicando aceleração do metabolismo. A grande diferença da fexaramine, segundo os pesquisadores, é que ela não é absorvida pela corrente sanguínea e, por isso, não causa efeitos colaterais em outros órgãos como o fígado e o coração – como acontece com outros medicamentos inibidores de apetite.

Para o endocrinologista Adauto Versiani, diretor do departamento de endocrinologia da Associação Médica de Minas Gerais, ainda é cedo para se afirmar se a pílula pode ser uma alternativa à cirurgia bariátrica e mesmo se os pacientes conseguirão se adaptar à fexaramine. "Não se sabe ainda o efeito em humanos. A pesquisa entrou, agora, na chamada fase três, em que se começa a realizar testes em humanos. Apenas um em cada mil estudos chega a essa fase, que pode durar até 10 anos", explica.

Salk Institute for Biological Studies/Divulgação
Clique para ampliar e comparar os efeitos dos inibidores de apetite (foto: Salk Institute for Biological Studies/Divulgação)


Ainda segundo o especialista, não existe remédio milagroso para quem quer perder peso. A velha máxima de "fazer reeducação alimentar e exercícios físicos regularmente" ainda é a maneira mais segura e eficaz para emagrecer. "Mudar os hábitos – e a mentalidade – é mais importante do que tomar remédios. Há casos em que pacientes que fizeram a cirurgia de redução de estômago voltam a engordar. Comem porções menores, mas alimentos super calóricos. Com o passar dos anos, retomam o sobrepeso", conta Adauto Versiani.

Quem possui recomendação médica para usar medicamentos inibidores de apetite, como explica o endocrinologista, deve entender que sempre existe a possibilidade de o remédio não funcionar. Cada organismo se adapta de forma diferente aos princípios ativos das medicações. "Os compostos mais usados no mercado para combater a obesidade são a sibutramina, que é proibida para cardiopatas, e o orlistate [conhecido pelo nome xenical], que podem gerar efeitos colaterais como flatulência, diarreia e, em casos raros, disfunção hepática", afirma Versiani.

Confira abaixo o vídeo (em inglês) explicando os efeitos da fexaramine:

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