Que tal saber o que seu bebê sente quando chora?

Muitas mães sofrem sem saber o que seus filhos recém-nascidos estão sentindo quando começam a chorar. Mas, agora, um software criado na Unifesp promete ajudar os pais e os hospitais no reconhecimento dessas sensações

13/01/2015 12:26

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Fapesp/Divulgação
Para a elaboração do software de reconhecimento de expressões de bebês, foram tiradas mais de 5.600 imagens de recém-nascidos em momentos de dor (foto: Fapesp/Divulgação)

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Pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram um software capaz de detectar expressões faciais relacionadas à sensação de dor em recém-nascidos, o que poderá auxiliar os pais no cuidado com os bebês – possibilitando intervenções mais ágeis e precisas.

O programa faz parte de uma pesquisa conduzida por Ruth Guinsburg com apoio da Fundação de Amparo á Pesquisa de São Paulo. De acordo com a pesquisadora, a iniciativa de criar o software surgiu da dificuldade enfrentada por cuidadores de recém-nascidos em unidades de terapia intensiva no reconhecimento e na avaliação dos sinais de dor.

"Essa subjetividade acaba dificultando eventuais intervenções, já que há uma série de fatores que podem levar o bebê a demonstrar certos incômodos nem sempre relacionados a dor. A pesquisa viabiliza um instrumento útil para monitorar essa situação, principalmente na rotina das unidades neonatais dos hospitais", explica.

Em crianças que ainda não são capazes de verbalizar, o reconhecimento da dor é feito com base em indicadores comportamentais e fisiológicos, como respostas motoras simples, expressões faciais e choro. O software usado na pesquisa da Unifesp foi desenvolvido com base na escala Neonatal Facial Coding System, amplamente utilizada no reconhecimento dos movimentos faciais de dor, e que foi convertida pelos pesquisadores em linguagem de computador.

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Desenvolvido por pesquisadores da Unifesp, programa de computador monitora bebês em UTIs neonatal e pode auxiliar cuidadores (foto: Fapesp/Divulgação)


Os mecanismos do software começaram a ser concebidos em 2009, após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unifesp. Foram filmados 30 recém-nascidos – que tinham entre 24 e 168 horas de vida – no Hospital São Paulo, entre junho e agosto de 2013. "Foi necessário um trabalho muito cuidadoso com as famílias para que não houvesse desentendimentos sobre a captação das imagens, feita durante procedimentos dolorosos com indicação médica, como punção venosa e injeção intramuscular", diz Ruth Guinsburg.

O software, baseado em identificação biométrica, mapeou e detectou 66 pontos da face dos bebês, reduzidos em seguida a 16 pontos principais a partir dos quais foram selecionados aqueles que mais se movimentavam quando era expressa dor aguda provocada por algum procedimento médico. As distâncias entre os pontos serviram de base para detectar as expressões faciais que, de acordo com a escala adotada pela pesquisa, demonstram sinais de dor: fronte saliente, fenda palpebral estreitada, sulco nasolabial aprofundado, boca aberta e boca tensa.

Foram identificadas 5.644 imagens, uma média de 188 por recém-nascido. Em seguida, os pesquisadores testaram a concordância entre as análises do software e as de seis profissionais de saúde experientes no reconhecimento da dor neonatal.

Os pesquisadores trabalham agora na adaptação do software para monitoramento de bebês enfermos, aprimorando as câmeras e adequando o sistema para que ele possa ser usado à beira do leito.

(com Agência Fapesp)

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