Brasil não está preparado para emergências médicas em grandes eventos esportivos

Isso é o que mostra um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública antes dos jogos da Copa do Mundo de 2014, e que serve de alerta para possíveis ocorrências na área de saúde nas Olimpíadas de 2016

16/01/2015 12:28

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Joel Vargas/PMPA/Divulgação
De acordo com as pesquisadoras, se tivesse acontecido alguma emergência médica durante a Copa de 2014, apenas duas cidades-sede teriam leitos suficientes (foto: Joel Vargas/PMPA/Divulgação)
Descansar, avaliar erros, refazer planos. Tal qual um intervalo de jogo, o ano de 2015 será estratégico para os que atuam nos grandes eventos internacionais que o Brasil se propôs sediar: as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. É hora de se debruçar sobre os dados surgidos a partir da experiência da Copa do Mundo, disputada em 12 cidades entre junho e julho do ano passado, e se preparar para os jogos olímpicos. No quesito saúde, mais especificamente com relação à assistência médica, o Brasil não se mostrou preparado para uma emergência de maior porte durante a Copa do Mundo.

Essa afirmação se deve ao resultado de um estudo elaborado pelas pesquisadoras Cláudia Osório e Elaine Miranda, e pela aluna de mestrado Carolina Figueiredo Freitas, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Segundo Elaine Miranda, as pesquisas apresentadas são fruto de um trabalho de campo feito antes do mundial, que envolveu 35 hospitais nas 12 sedes da Copa. Onze desses hospitais eram de referência e os outros 24 eram gerais, públicos e privados. "'Não vai acontecer na minha cidade', foi a resposta que mais recebemos nas entrevistas", conta a pesquisadora.

Apenas 54% dos hospitais possuíam um plano para aumento de sua capacidade e 12% deles informaram que transportariam os pacientes para outras instituições de saúde, em caso de necessidade. Apesar desses hospitais terem dito que possuíam plano de emergência, só 14%, ou seja, cinco deles, mostraram uma cópia do documento às pesquisadoras. A porcentagem de hospitais com capacidade de isolamento de pacientes também se mostrou baixa: 27%.

A pesquisadora Cláudia Osório explica que o método utilizado para calcular a relação entre as ameaças que um evento de grande porte apresenta é a capacidade de leitos e de tratamento para atender uma suposta emergência. Depois de muitos cálculos, o que se conclui é que em apenas duas cidades sedes da Copa de 2014 teriam leitos suficientes. Em todas as demais haveria déficit.

Geoprocessamento

Entre as propostas para os jogos olímpicos de 2016, a mestranda Carolina Figueiredo Freitas, sob orientação de Elaine Miranda e Cláudia Osório, desenvolve um software de geoprocessamento que deve ajudar no atendimento a possíveis ocorrências.

A ideia é mapear os hospitais no entorno da área dos eventos esportivos, por meio do banco de dados da Escola Nacional de Saúde Pública, e, assim, elaborar rotas para possíveis emergências. A partir dessa ferramenta tecnológica, será possível localizar hospitais e clínicas que precisam de melhorias para ajudarem no atendimento durante as Olimpíadas.

(com Ascom ENSP)

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