Após decisão da Anvisa, cientista quer mais pesquisas com maconha

Além de poder estudar o canabidiol, pesquisador da UnB espera que se consiga a liberação para se avaliar outros subprodutos da planta

22/01/2015 09:39

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Maj. Will Cox/Georgia Army National Guard/Divulgação
Segundo o neurocientista, os defensores da ampliação dos estudos sobre a maconha terão que enfrentar os interesses da indústria farmacêutica (foto: Maj. Will Cox/Georgia Army National Guard/Divulgação)
A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de reclassificar o canabidiol, passando a considerá-lo como medicamento de uso controlado e não mais como substância proibida, poderá facilitar o debate sobre os usos medicinais da maconha no Brasil. O canabidiol é uma substância, presente na folha da maconha (Cannabis sativa), que é usada para tratamento de doenças neurológicas, câncer, mal de Parkinson, entre outras.

Com a reclassificação, a expectativa é que os estudos científicos sejam ampliados, viabilizando a produção de novos medicamentos. Essa é a opinião do neurocientista da Universidade de Brasília (UnB) Renato Malcher, para quem a decisão foi uma vitória política diante de visões conservadoras.

Malcher conta que, antes, os estudiosos gastavam tempo e dinheiro à espera de autorização para estudar a substância. Com a decisão, "qualquer cientista pode simplesmente olhar um catálogo na internet e fazer a compra do Canabidiol, tendo que lidar apenas com a questão de taxa alfandegária e mais nada. Não precisa mais de uma autorização da Anvisa para poder lidar com uma substância proscrita".

Estudos com maconha são feitos no Brasil pelo menos desde a década de 1930. Os primeiros destacavam os chamados males da planta, quais perigos sociais gerados por ela e também os sintomas apresentados pelos usuários. A partir de 1960, a psicofarmacologia e a psicobiologia passaram a estudar outros aspectos, reconhecendo propriedades ansiolíticas e antipsicóticas, dentre outras.

Com a reclassificação, o neurocientista explica que outros temas devem vir à tona, e aponta a necessidade de liberar os demais derivados. "A pesquisa hoje é muito prejudicada pelo próprio estigma e pela dificuldade de explorar essa área mais ampla, que é poder plantar, desenvolver plantas diferentes, extrair os óleos e testar as combinações", afirma.

Porém, Malcher lembra que os defensores da ampliação dos estudos e do uso fitoterápico da planta também terão que enfrentar os interesses da indústria farmacêutica, isso porque ela confere a cada variação genética das plantas – no caso da possibilidade da Cannabis ser plantada no Brasil legalmente – uma patente, o que poderá dificultar o acesso para fins científicos e aumentar os custos do produto final.

Diante da situação, o cientista acredita que a indústria terá que se adaptar ao novo cenário e que os profissionais, hoje formados para receitar remédios tradicionais, poderão vivenciar "um novo paradigma".

(com Agência Brasil)

Últimas notícias

Comentários