Planta descoberta na Serra da Mantiqueira possui ação anti-inflamatória

Pesquisadores avaliaram a Baccharis, que é da família do girassol, e descobriram que ela também possui característica antimicrobiana e antiparasitária

02/02/2015 12:44

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João Henrique Ghilardi Lago/Fapesp/Divulgação
A Baccharis retusa é típica de regiões de altitude elevada na América do Sul e possui um importante composto farmacológico: a sakuranetina (foto: João Henrique Ghilardi Lago/Fapesp/Divulgação)
Pesquisadores do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conseguiram isolar um composto bioativo de uma planta encontrada na região da Serra da Mantiqueira que tem propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana e antiparasitária.

O composto é denominado sakuranetina. "Observamos que a atividade anti-inflamatória da sakuranetina é muito similar à da dexametasona, o principal corticoide usado hoje no tratamento de processos alérgicos e inflamatórios graves", conta João Henrique Ghilardi Lago, professor e coordenador do projeto da Unifesp que levou à descoberta da planta.

A sakuranetina foi isolada da planta Baccharis retusa, da família Asteraceae, a mesma do girassol e de diversas outras plantas medicinais. Segundo o pesquisador, o gênero Baccharis, composto por cerca de 500 espécies de plantas, entre elas a carqueja, é muito comum nas Américas do Sul e Central, em regiões de altitude como a Serra da Mantiqueira – cadeia montanhosa que se estende pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

"Ficamos surpresos com a variedade de espécies de Baccharis na Serra da Mantiqueira", diz Lago. "Coletamos cerca de dez espécies diferentes em Campos do Jordão", completa.

Composto farmacológico

A análise química da Baccharis revelou que cerca de 50% do extrato bruto da planta diluído em etanol é composto por uma única substância: a sakuranetina. "Isso é muito raro em plantas porque, em geral, elas apresentam uma grande diversidade de compostos", explica o professor.

Com o intuito de avaliar a atividade antiparasitária da sakuranetina, os pesquisadores da Unifesp, em parceria com o Instituto Adolfo Lutz, com a Universidade Federal do ABC e com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, isolaram e testaram o composto. Os resultados indicam que a substância apresenta atividade antiparasitária contra Leishmania amazonensis, braziliensis, major e chagasi, em concentrações de 43 a 52 microgramas por mililitro (ug/ml), e contra tripomastigotas de Trypanosoma cruzi em concentrações de 20,17 ug/ml.

Em outro estudo, foi avaliada a capacidade anti-inflamatória da sakuranetina por meio da indução da asma em camundongos. Um grupo de animais foi tratado durante cinco dias com o composto, enquanto outro grupo de controle recebeu dexametasona. Os resultados do estudo, que foi publicado no British Journal of Pharmacology, indicaram que o tratamento com sakuranetina atenuou vários aspectos da inflamação alérgica das vias aéreas dos animais.

Já com relação à capacidade antimicrobiana da sakuranetina, os pesquisadores utilizaram o composto em sua forma cristalina. A ação antimicrobiana foi comprovada contra leveduras dos gêneros Candida, Cryptococcus e S. cerevisiae. Publicado na revista Molecules, o estudo mostra que a substância apresenta forte atividade antifúngica contra as leveduras patogênicas e pode ser considerada como um protótipo pela indústria farmacêutica para o desenvolvimento de agentes antifúngicos mais eficazes.

"Agora, estamos em um ponto crucial, que é avaliar a toxicidade da sakuranetina, porque não adianta termos uma substância que apresenta ação anti-inflamatória tão potente como a droga padrão usada no tratamento de asma se não soubermos em que concentração ela pode ser administrada em animais e humanos", lembra o professor João Henrique Ghilardi Lago.

(com Agência Fapesp)

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