Por que a torre Alta Vila não deu certo?

Construído em estilo futurista e lançado para ser um shopping de entretenimento referência na cidade, o Alta Vila Class Center não emplacou e vive às moscas. A saída está sendo alugar o empreendimento para escritórios comerciais

por Bernardo Almeida 03/02/2015 15:20

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Samuel Gê/Encontro
Inaugurada em julho de 2005, a torre Alta Vila, de 101 metros, devia ser um shopping diferenciado na região do Vila da Serra, mas, agora, está às moscas (foto: Samuel Gê/Encontro)
O Alta Vila Class Center deve ser hoje um dos elefantes brancos mais bonitos do Brasil. A torre futurista de 101 metros de altura, quatro andares e 850 vagas de estacionamento, revestida em aço inoxidável, não corresponde nem de longe às expectativas geradas há nove anos, quando foi inaugurada. O local foi projetado para ser um novo conceito de entretenimento para a região metropolitana de BH, mas nem a casa de shows Hard Rock Café resistiu à falta de público – fechou as portas em 2014. Se a torre encanta quando vista por fora, em seu interior, porém, o ambiente é desolador.

As escadas rolantes estão desligadas. O teto tem placas soltas, e uma fiação elétrica visível cobre a antiga praça de alimentação. Em vez de consumidores, funcionários encarregados da reforma são os únicos que transitam pelas antigas lojas, escondidas atrás de inúmeros tapumes. Estes, aliás, são parte constante da decoração do Alta Vila desde a sua inauguração, em julho de 2005. O shopping só conseguiu alocar metade do espaço reservado para 72 lojas. Em um ano, a maioria já havia fechado as portas. O Cineart, que geralmente funcionava com as salas vazias, sequer passou de 2006. Mas o que levou o Alta Vila a tamanho fracasso comercial em tão pouco tempo?

A inauguração precipitada do que deveria ser um centro de entretenimento é consenso entre os lojistas. Mesmo com atraso nas obras, a data de abertura foi mantida. Alguns banheiros sequer foram utilizados. O próprio Hard Rock Café só abriu seis meses após a inauguração oficial. Já o restaurante japonês Hoshi, inaugurado em 2007, é quem ajuda a movimentar o prédio. No quarto andar, o Alta Vila aluga um salão para eventos e festas.

Administradores e lojistas tiveram prejuízo. Max Weinand, por exemplo, dono da empresa de esportes radicais Maxtreme, que tinha uma estação fixa de bungee jump no alto da torre, contabilizou perda em torno de R$ 60 mil. “Quando inauguramos, o movimento era de 30 saltos por dia nos fins de semana. Quando fechamos, no final de 2007, fazíamos, no máximo, dez saltos por dia nos fins de semana e não havia movimento nos dias úteis”, conta Max, que diz só não ter fechado no vermelho no primeiro mês.

Restaurantehoshi.com.br/Reprodução
O restaurante Hoshi, com sua bela vista de Belo Horizonte, é o único estabelecimento que se mantém vivo no Alta Vila Class Center (foto: Restaurantehoshi.com.br/Reprodução)


Outros motivos apontados como responsáveis pelo declínio do Alta Vila são o preço do estacionamento, a ausência de lojas-âncora – normalmente, supermercados ou lojas de departamento capazes de criar um fluxo constante do público, como Carrefour e Lojas Americanas – e a falta de planejamento de transporte público para atender à região. A baixa divulgação também foi condenada por empresas que decidiram processar a administração do Alta Vila. Segundo Cláudio Silveira, advogado da Kids & Kits, loja de aeromodelismo que estima um prejuízo de cerca de R$ 100 mil, mesmo durante o Natal, a taxa de marketing paga pelos lojistas não era revestida em publicidade. “Eles simplesmente disseram que não tinham mais dinheiro na época. Chegou ao ponto de o ar-condicionado ser desligado em alguns momentos do dia para diminuir os gastos.”

O advogado alega que seus clientes foram informados que 80% das lojas já estavam ocupadas à época da inauguração. Inclusive, foi anunciado que a Hooters, uma franquia internacional de restaurantes, estava prestes a abrir unidade no local, mas depois foi revelado que tal acordo nunca foi firmado.
Procurada, a administração do Alta Vila não quis se pronunciar a respeito, mas informou que o antigo shopping está se transformando em um centro empresarial. No início de 2014, a empresa de consultoria internacional Accenture alugou o terceiro andar e parte do segundo. A consultoria foi procurada por Encontro, mas também não quis dar detalhes sobre as operações. Agora, é esperar para ver se mais essa aposta na futurística torre dará certo.

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