No meio do caminho tinha uma árvore

População ainda lembra da destruição de um dos principais símbolos do bairro Caiçara em BH: a árvore que ficava no meio da rua Itaguaí. Alguns moradores ainda querem o replantio do patrimônio

por Frederico Teixeira 04/02/2015 11:17

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Eugênio Gurgel
Eles cortam, ele replanta: o motorista Adílson Dias diz que não vai desistir de ter um ipê no local onde outras duas plantas foram ceifadas (foto: Eugênio Gurgel)
Em julho de 2012, o bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte, perdeu um dos seus principais símbolos. O ipê-amarelo plantado em um canteiro no meio da movimentada rua Itaguaí, 441, foi cortado por funcionários da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

"Fiquei em estado de choque. É como se tivesse perdido uma pessoa da família. Era um ipê lindo. A prefeitura veio e passou o serrote nele. Se estivesse na hora, não teria deixado. Nem almocei no dia, de tanta raiva", lembra o motorista Adílson Ferreira Dias, um dos responsáveis por cuidar da árvore.

Sentimento semelhante teve a empresária Raquel Guerra, moradora do bairro desde que nasceu e outra guardiã do ipê. "Estava viajando no dia. Quando cheguei, levei um susto. O pessoal me contou que não teve justificativa. Vieram com uma motosserra e, sem mais nem menos, simplesmente a arrancaram. O ipê já estava com flor, era uma árvore bonita, que não tinha problema algum", lamenta.

O ipê-amarelo havia sido plantado no mesmo canteiro ocupado há décadas por um espécime da época em que o lugar ainda era uma fazenda. "Toda esta região fazia parte da fazenda Engenho Nogueira. Quando ela foi vendida, lotearam e deixaram algumas árvores. Uma copaíba antiga, centenária, acabou ficando no meio da rua", explica Raquel. A copaíba chegou a ser tombada em 1996 pelo patrimônio cultural da cidade, mas, por 'velhice', precisou ser cortada em 2010. "Ela ficou oca, cheia de problemas. Trouxemos um biólogo para tentar salvá-la, mas não teve jeito", relata a moradora.

Geraldo Goulart/Encontro
Raquel Guerra, antiga moradora, determinada a impedir o corte de mais uma árvore: "Da próxima vez que vierem, não vamos deixar cortar" (foto: Geraldo Goulart/Encontro)


Sem a velha copaíba, o ipê-amarelo mantinha a tradição. "Se alguém de fora vem aqui e pergunta sobre a rua Itaguaí, todo mundo sabe que é aquela que tem a árvore no meio", exemplifica Adílson. No canteiro, ainda está a placa de metal gravada com um poema escrito por ele em setembro de 2009 em homenagem à copaíba.

Mesmo ainda lamentando a derrubada do ipê-amarelo, Adílson e Raquel não desistem. Tanto que, auxiliados por outros moradores da rua, plantaram outra árvore no local e fizeram as adequações necessárias. "Como disseram que a empresa de ônibus estava reclamando que o canteiro era muito largo, diminuímos um metro para dar mais espaço para a manobra dos coletivos", conta Raquel. "Contratamos um rapaz para reduzir o canteiro, para facilitar o trânsito e deixá-lo mais bonitinho", completa Adílson.

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