Mesmo com chuva, crise hídrica pode continuar em Minas

A situação dos reservatórios que abastecem a capital ainda é crítica

05/02/2015 10:45

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Mesmo com o volume de chuva que está caindo em Belo Horizonte nos últimos dias, nível dos reservatórios que abastecem a capital continua crítico (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
A chuva que caiu nos últimos dias em Belo Horizonte e na região metropolitana trouxe alívio para a população, mas isso não quer dizer que a crise hídrica vai dar uma trégua no estado. Como o período de seca foi grande, a quantidade de chuva que já caiu e a que está prevista para os próximos dias não devem ser suficientes para amenizar a situação dos três reservatórios que abastecem a capital.

Dados recentes sobre o sistema Paraopeba divulgados pela Copasa indicam que nos reservatórios de Serra Azul e Várzea das Flores, o volume de água é de 6,4% e 28%, respectivamente. Já em Rio Manso, a capacidade é de 43,7%. Para se ter uma idéia, em janeiro de 2014 esse volume era de 95%. O problema pode ficar ainda mais grave, já que uma análise da companhia de saneamento identificou que parte da capacidade atual do reservatório de Rio Manso não poderá ser usada para a distribuição de água. Segundo a Copasa, o volume localizado no fundo da barragem, que corresponde a 0,98%, não tem qualidade para o tratamento por conter resíduos sólidos presentes no solo.

Então as chuvas que caem sobre BH e região não são levadas para os reservatórios? "As águas da chuva que caem em Belo Horizonte vão para os rios, que abastecem reservatórios localizados depois da capital. A chuva que cai em cima da cidade não alimenta os pontos em que BH faz a captação de água", explica Célia Rennó, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de Minas Gerais (Abes). Ela conta que essas águas ajudam a aumentar o volume dos rios das Velhas e Paraopeba, mas, neste último, elas são incorporadas apenas a partir da cidade de Contagem. Os dois deságuam em Três Marias, o que ajuda a recompor o rio São Francisco.

Mesmo assim, Célia lembra que a primeira água que cai de chuva é muito suja. "Depois, com a continuidade da tempestade, ela vai limpando. Essa água tem uma qualidade variável. Vale lembrar que se a pessoa for captar água da chuva, o ideal é que descarte a que cai no primeiro momento", diz a presidente da Abes. Além disso, devido aos poluentes existentes nos cursos da água pluvial, nem a Copasa poderia reutilizá-la. "Seria necessáiro um tratamento mais complexo", afirma Célia Rennó.

Não mudou

Os levantamentos da Copasa ainda mostram que o volume de chuva que caiu recentemente na capital e na região metropolitana não foi suficiente nem para manter o nível dos reservatórios. Hoje, o volume total do sistema Paraopeba é de 29,6%. Na semana passada, a capacidade chegou a 30,2%. Já em 5 de janeiro, o volume era de 32,9%.

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