Pílula "do sono" engana o corpo e altera o relógio biológico

A descoberta foi realizada por uma universidade do Canadá, e, segundo os cientistas, o remédio teria a capacidade de fazer o corpo pensar que o dia é noite, e, assim, quem sofre de insônia poderia mudar a rotina do sono

por Fernanda Nazaré 06/02/2015 09:24

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Segundo a pesquisa canadense, o glicocorticoide altera a 'programação' dos leucócitos, fazendo com que o cérebro pense que o dia é noite, e vice-versa (foto: Pixabay)
Um remédio ainda em fase experimental, criado pela Universidade McGill, que fica na cidade de Montreal, no Canadá, promete resolver o problema de quem não consegue dormir bem, seja por problemas de fuso horário ou insônia, seja pelo trabalho no turno da noite. A pílula, popularmente chamada de "jet lag pill" (com relação à confusão mental de turistas, causada pela mudança no fuso horário), funciona por meio dos glóbulos brancos (leucócitos), que são os responsáveis por controlar nosso relógio biológico. O medicamento canadense é feito à base de glicocorticoide, um tipo de esteroide.

Durante os testes na McGill, 16 voluntários foram isolados em um ambiente especial, preparado para desregular seus ritmos cicardianos – que é o período de aproximadamente 24 horas em que se baseia nosso relógio biológico. Os voluntários receberam pílulas com o glicocorticoide, e os cientistas puderam observar o efeito do composto no funcionamento dos leucócitos. Segundo a pesquisa, o resultado mostrou que o remédio age como se "apagasse" a programação dos glóbulos brancos, fazendo com que o corpo "pense" que o dia é noite e vice-versa.

Para o médico Rogério Beato, especializado em sono e professor de Medicina da UFMG, a pesquisa não menciona detalhes fundamentais, como o tempo em que os voluntários passaram tomando a medicação, bem como a dose e o horário da administração da pílula. Além disso, segundo o especialista, faltou o mais importante: os efeitos adversos da substância no organismo. "Dependendo da dosagem e do tempo de utilização do glicorticoide, podem surgir efeitos negativos para a saúde, como insuficiência da glândula suprarrenal, aumento dos níveis de glicose e até osteoporose", explica. Ainda assim, Beato acredita que essa possa ser uma esperança para quem sofre de distúrbios do ritmo cicardiano.

Outros estudos

De acordo com Marco Túlio Tanure, coordenador do serviço de Neurologia do Hospital Biocor, a tentativa de controlar o relógio biológico dos seres humanos não é uma exclusividade dos canadenses. "Os alemães, do Instituto Max Planck, e os ingleses, da Universidade de Manchester, já estudam o ritmo cicardiano há anos, e já divulgaram pesquisas com a mesma promessa de controle do sono", conta. Também atento às possíveis consequências do uso desse esteroide, o médico questiona se não seria "mais saudável e menos sofrível para o corpo humano se adaptar naturalmente às mudanças de horário e fuso".

As "pílulas do sono" ainda não estão prontas para serem comercializadas, mas, segundo o autor da pesquisa, Nicolas Cermakian, essa pode ser uma solução inovadora para quem sofre com interrupções do ritmo cicardiano.

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