Barreiro já foi uma região de descanso de representantes do executivo mineiro

O distrito de Belo Horizonte foi o local escolhido para a construção do Palácio dos Governadores e da Casa de Descanso do Prefeito

por Veridiane Marcondes 09/02/2015 15:40

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Edésio Ferreira/EM/D A. Press
Recuperação de posse: Prefeitura de Belo Horizonte quer que família que está em imóvel atrás da entrada do Parque das Águas, no bairro Flávio Marques Lisboa, desocupe o local. Moradores alegam ter direitos (foto: Edésio Ferreira/EM/D A. Press)
A praça Modestino Sales Barbosa, no bairro Flávio Marques Lisboa, é bem conhecida pela população do Barreiro. É lá que está o Point Barreiro, um projeto dos governos municipal e estadual para ações educativas, culturais e de esporte e onde acontecem atividades do programa Escola Integrada, que oferece cursos profissionalizantes. Mas pouca gente sabe que foi nesse mesmo local que há quase um século foi construída uma residência destinada a receber políticos que descansavam nos fins de semana com seus familiares ou que se reuniam a trabalho.

O luxuoso casarão para a época, projetado no governo de Júlio Bueno Brandão (1910-1914) e construído em 1919, ficou conhecido como Palácio dos Governadores. Infelizmente, quem passa pela praça nem percebe que o palácio já esteve lá: dele, nada foi preservado.

O casarão passou por várias transformações até virar o Point Barreiro. Foi hospital, centro de recepção e triagem da antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) e depois ficou abandonado por um longo período. Agora, a história do local se encontra em raros registros, a maioria passada no boca a boca, de geração em geração.

Situação parecida é a da Casa de Descanso do Prefeito, outro casarão construído nos moldes – e no mesmo bairro – do Palácio dos Governadores, só que para o chefe do executivo municipal. Piscina, sauna, lavanderia e uma bela vista eram alguns dos confortos dos quais usufruíam o prefeito, seus familiares e convidados. A regalia acabou na década de 1970. Depois disso, o local virou uma espécie de clube da prefeitura, mais tarde, em 1986, Cidade do Menor e, em 1994, deu espaço ao parque Roberto Burle Marx, em atividade até hoje.

Divulgação
Momento de relaxamento no Palácio dos Governadores: antigos chefes de estado costumavam levar suas famílias e seus amigos para repousar em casarão que tinha confortos como sauna e piscina (foto: Divulgação)


Objetos e características também se perderam e pouco foi preservado (a estrutura da casa e uma capela, apenas). O que tem durado mesmo é a briga da família de um antigo caseiro, que mora na residência anexa ao parque, com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

O caseiro em questão se chamava Faustino Diniz e trabalhou para o prefeito Otacílio Negrão de Lima na década de 1950. A filha de Faustino, Ernestina Santos, aposentada, de 67 anos, que enfrenta uma ação de reintegração de posse, resume o caso. "Na época, Otacílio doou o terreno para o meu pai. As pessoas antigamente honravam com suas palavras, não tinham a preocupação de documentar. A palavra valia mais que um papel, ao contrário do que acontece hoje", afirma. Ao mesmo tempo, a família de Ernestina move uma ação de reconhecimento de posse.

Para Rodrigo Coppe Caldeira, historiador e professor do departamento de Ciências da Religião da PUC Minas, casos como o do Palácio dos Governadores e da Casa de Descanso revelam os riscos que nosso patrimônio histórico corre. "A cidade perde um espaço da memória, das vivências, de um conhecimento acumulado que nos dá os caminhos da história local, suas realizações, seus feitos. Não temos identidade sem nossa história. A memória, no Brasil, é uma questão de segunda, terceira categoria. Muito já foi feito, mas ainda falta um longo caminho para que cheguemos a um patamar ótimo de cuidado e preservação", conclui.

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