Pesquisador comprova existência de matéria escura na Via Láctea

Esse tipo de matéria, que preencheria o espaço vazio entre os elementos do Universo, gera muita discussão na comunidade científica

10/02/2015 14:00

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Nasa/Divulgação
A dificuldade de se comprovar a existência de matéria escura em nossa galáxia, segundo o cientista, se deve à nossa proximidade do centro da Via Láctea. Na imagem acima, a indicação de onde se situa nosso sistema solar (foto: Nasa/Divulgação)
Uma prova robusta da existência da chamada matéria escura na região compreendida entre nosso sistema solar e o centro da Via Láctea foi obtida pelo pesquisador Fabio Iocco, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Sul-Americano de Pesquisa Fundamental. A descoberta foi publicada no site da revista inglesa Nature Physics.

"Obtivemos essa evidência medindo a rotação de nossa galáxia com grande precisão. Por meio da rotação, calculamos sua atração gravitacional. E, a partir da atração gravitacional, chegamos à massa. A massa calculada é maior do que aquela constituída apenas pela matéria luminosa [estrelas e gás]. A diferença de massas indica a existência de outro componente material na região, a chamada matéria escura", explica Iocco.

A hipótese de existir no Universo uma forma desconhecida de matéria – denominada matéria escura pelo fato de sua presença jamais ter sido detectada de maneira direta pelas observações astronômicas – foi formulada nos anos 1970, quando a rotação de gases em torno dos centros de galáxias espirais passou a ser calculada com alta precisão.

Essa medição, no entanto, é difícil de ser feita na Via Láctea, já que estarmos inseridos nela, a aproximadamente meia distância entre a periferia galáctica e seu centro. "Devido a tal condição, foi, ao longo de todos estes anos, um grande desafio medir a rotação do gás e das estrelas com a precisão necessária. Tal medição é especialmente difícil na região compreendida entre o Sol e o centro da galáxia, onde as estrelas e o gás estão muito concentrados e, assim, contribuem mais para o montante de massa", explica o cientista.

A composição da matéria escura já foi objeto de muita especulação, e o pesquisador da Unesp também preferiu não comentar esse fato. "Isso é algo que não pretendemos responder em nosso artigo. Aliás, nem supusemos a existência de qualquer tipo de matéria escura. Tal evidência veio como resultado dos cálculos", diz.

(com Agência Fapesp)

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