Conhece a vila de 12 casas que existe em pleno centro de BH?

Quem passa pelo portão de número 619 na rua Guajajaras é transportado para um cenário inacreditável em plena agitação da região central da capital mineira. Na Vila Werneck, a viagem à década de 1940 é garantida

por Daniela Costa 12/02/2015 12:12

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Dudua's Profeta/Encontro
Na contramão do caos urbano: sete famílias conservam uma ilha do sossego e não pensam em ceder espaço para outro prédio (foto: Dudua's Profeta/Encontro)
A pequena Maria Fernandes brinca distraidamente na rua de pedras em frente à sua casa. Enquanto isso, seu pai, o funcionário público Leonardo de Mello Dumont vai buscar o velotrol para agradar ainda mais a criança. "Aqui ela está sempre em segurança". Um pouco à frente, a senhora Maria José Dumont observa a manhã ensolarada da janela de sua sala, de onde também avista os vizinhos e faz questão de cumprimentá-los pelo nome. Na rua ao lado, o empresário Hélio Dávila Maciel prepara-se para servir o almoço a uma seleta clientela no restaurante Fonte de Minas, especializado em comida macrobiótica: "Estamos aqui há mais de 30 anos". Hábitos e costumes comuns em algumas cidades do interior, mas que se tornam inusitados em se tratando do hipercentro de Belo Horizonte.

Na Vila Werneck, a vida dos moradores anda mesmo na contramão da correria dos centros urbanos. Construída em 1943 na rua Guajajaras, 619, a vila sobreviveu à verticalização que a cerca, preservando a arquitetura original de suas únicas 12 casas. Atualmente sete famílias moram no local – entre elas, apenas três crianças –, a maioria parentes dos primeiros proprietários. As demais unidades estão alugadas. Como os atuais moradores não abrem mão desse oásis de sossego em meio ao caos, comprar uma casa na Vila Werneck é tarefa praticamente impossível.

Dudua's Profeta/Encontro
Moradora da vila desde 1950, dona Maria José Dumont diz que não pensa em arredar os pés de lá: "É um verdadeiro privilégio morar aqui" (foto: Dudua's Profeta/Encontro)


O conjunto residencial criado pelas famílias Souza Lima e Werneck foi, merecidamente, tombado como patrimônio histórico de BH. Em suas duas ruas calçadas de pedras permanecem as construções em estilo colonial. No entanto, sua característica estritamente residencial vem se perdendo diante da presença de novas empresas no local. “Alguns proprietários decidiram alugar suas casas para fins comerciais, o que muda um pouco o perfil da nossa vila. Mesmo assim, ainda conseguimos manter a boa convivência entre os moradores e nossa tradicional tranquilidade. Continua sendo um privilégio morar aqui”, diz dona Maria José, que, além de síndica do conjunto, mora na vila desde 1950. “Aqui foi escrita toda a história da minha vida”, conclui.

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