Artesãos de pequena cidade mineira criam arte a partir da fibra de bananeira

Nas mãos dos moradores da pequena Capitão Enéas, que fica no sertão mineiro, os troncos das bananeiras que são dispensados por agricultores locais viram caixas, abajures e artigos de decoração

por Fernanda Nazaré 23/02/2015 14:19

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Dione Afonso/Divulgação
A artesã Erenice Mascarenhas, líder do grupo Capitania das Fibras, exibe os casulos de abelha que foram criados para um evento específico na Bahia, e já estão fazendo sucesso (foto: Dione Afonso/Divulgação)
Um grupo de artesãos da cidade de Capitão Enéas, que fica norte de Minas Gerais, a 471 km de Belo Horizonte, está chamando a atenção em feiras de artesanato por todo o país. Com a fibra do tronco da bananeira, os 12 membros do grupo Capitania das Fibras produzem cestos, caixas de vinho e de chá, descanso de panela, abajures, baús, jogos americanos e luminárias. Essa matéria-prima "inusitada" chama a atenção dos frequentadores dos eventos de produtos típicos.

Segundo a líder dos artesãos, Erenice Mascarenhas, de 48 anos, uma obra recente, criada pelo Capitania das Fibras, já foi parar até na Bahia. "Uma empresária de Trancoso [vilarejo que fica no sul do estado] nos encomendou vários casulos para colocar em um salão de eventos. Criamos uma espécie de caixa de abelha, com favos, e as pessoas têm gostado bastante dessa nova peça", conta.

Além da força de vontade e da criatividade, os artesãos estão contando com o apoio do Sebrae-MG, que descobriu o trabalho do grupo mineiro em 2011, e levou até a cidadezinha no norte de Minas cursos de gestão e de plano de negócio. De acordo com Erenice, infelizmente, outros grupos que trabalhavam com a fibra de banana na região não se consolidaram, pois, como ela mesma diz, não existe tanta demanda no pequeno município de apenas 14 mil habitantes. "O Sebrae nos orientou a vender os produtos para fora da cidade e a participar de feiras. Hoje, nossa maior clientela está em Belo Horizonte", afirma a líder artesã.

Dione Afonso/Divulgação
Com a fibra da bananeira, as habilidosas artesãs da cidade de Capitão Enéas fabricam caixas, abajures e peças de decoração (foto: Dione Afonso/Divulgação)


Mais que banana

Todo o preparo da fibra da bananeira é feito de modo artesanal. Os troncos da planta são doados por fazendeiros da região. Desde o corte no bananal até a separação das fibras, passando pela desencapagem do tronco, corte e lavagem, o trabalho é divido entre todos os integrantes.

Na sede do núcleo, uma antiga fábrica de doces desativada – que foi emprestada pela prefeitura –, os artesãos desencapam os troncos de bananeira, retiram os resíduos e lavam as palhas com vinagre, para higienizar e descolorir. Esse processo dura dois dias e, após a secagem das fibras, elas estão prontas para serem trançadas. Em paralelo, os dois únicos homens integrantes do Capitania das Fibras trabalham com a madeira usada na montagem das estruturas das peças. A partir dessa etapa, os materiais já estão prontos para serem confeccionados.

Agora, o próximo passo do grupo de artesãos de Capitão Enéas é se tornar uma associação. "Já estamos prontos para eleger nossa diretoria", comemora Erenice Mascarenhas.

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