Manifestações em março podem representar a queda da presidente Dilma?

Para cientista político, o movimento popular do dia 15 de março e a campanha que será apresentada pelos militares no dia 19 não são ameaças ao governo federal

por João Paulo Martins 02/03/2015 17:22

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João Miranda/Esp. EM/D.A Press
Em 2013, diversas manifestações populares agitaram o país; tinham como lema 'O Gigante Acordou'. Mas, praticamente nada do que foi exigido nas ruas acabou sendo realizado pelos governos (foto: João Miranda/Esp. EM/D.A Press)
No próximo dia 15 de março, milhares de pessoas prometem ir às ruas pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Só no Facebook, segundo a empresa Bites, especializada em gestão de repercussão online, um milhão de usuários confirmaram a participação em 37 eventos contra o governo federal. Em apenas um deles, intitulado Impeachment - DilmaVezParaCuba - VoltaÀsRuas, existem 75 mil confirmações de participação no movimento do dia 15. Além da mobilização popular nas redes sociais, o Clube Militar, instituição privada formada por militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea, também anunciou a criação de uma campanha pela volta da "moral à sociedade brasileira" – já recebeu o apoio de instituições importantes, como a Associação Brasileira de Imprensa, e de formadores de opinião, como o jurista Ives Gandra.

"Nossa motivação surgiu da constatação de que os valores da sociedade apresentam diversas distorções: corrupção em todos os níveis nacionais; irresponsável busca de atingir interesses pessoais, sobrepujando, em quase todas as escalas, o interesse da coletividade; os fins justificando os meios; os direitos das minorias prevalecendo sobre os da maioria; e a imposição do 'politicamnete correto' em detrimento do livre pensar e falar", diz a nota oficial enviada pelo Clube Militar à imprensa.

Os militares devem lançar a Campanha pela Moralidade Nacional no próximo dia 19 de março, logo após a manifestação popular em prol do impeachment de Dilma. Apesar da coincidência na proximidade das datas, o Clube Militar garante que essa não foi a intenção. "Já estávamos programando a campanha antes de surgir os movimentos sociais contra a presidente. E tampouco escolhemos a data pensando no dia 31 de março [quando se deflagrou o Golpe de 1964]", diz o coronel Ivan Cosme de Oliveira Pinheiro, diretor de comunicação social da instituição militar.

Segundo o coronel, diante de tantas denúncias de corrupção, não é mais possível esperar. "Não é só uma questão política. Nossos valores estão totalmente corrompidos. Há uma sensação de impunidade no país. O bandido ataca o policial porque não tem medo das autoridades", reclama Ivan Pinheiro. O diretor de comunicação faz questão de explicar que o pedido de intervenção militar no Brasil, que tomou força nas redes sociais, "é uma loucura". "Nós vamos mostrar que a questão transcende a política. Queremos provocar debates e seminários sobre a situação do país", afirma.

Risco de golpe?

Para o cientista político Malco Braga Camargos, professor da PUC Minas, as manifestações populares fazem parte de qualquer democracia no mundo e isso não significa que resultam em impeachment. "Os 'caras-pintadas' de 1992 não foram responsáveis pelo impeachment do presidente Fernando Collor. A pressão popular faz parte de qualquer democracia. É o indicativo de insatisfação da população. Mas é preciso saber como lidar com isso. Não significa a retirada do governo eleito democraticamente. Mostra que temos algo a ser resolvido", explica o especialista.

Com relação à manifestação dos militares, o professor mostra que ela não possui representatividade na população. "Não têm importância. Pode ser militar, estudante ou empresário que não faz diferença. Uma manifestação só passa a ter importância se aglutinar um número considerável de pessoas", afirma.

Porém, mesmo que a agitação represente apenas a insatisfação dos diferentes grupos sociais, Malco Camargos lembra que sempre existe o risco de termos um golpe militar. "Quando o país está lidando com crise econômica somada a um conflito ético, existe um maior potencial para o rompimento de regras pré-estabelecidas", conclui.

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