Mãe pode bater no filho?

Vídeo que circula nas redes sociais mostrando uma mãe repreendendo o filho, batendo na cara dele com um chinelo, está gerando discussão sobre a forma correta de se educar

por João Paulo Martins 05/03/2015 14:02

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YouTube/Reprodução
O jovem de 15 anos aparece com medo enquanto a mãe lhe bate na cara com um chinelo, no vídeo que se espalhou rapidamente pelas redes sociais (foto: YouTube/Reprodução)
Um jovem de 15 anos teria filmado uma relação sexual que manteve com sua ex-namorada, e o vídeo estaria exposto na internet. A mãe do garoto, ao saber do fato e de ter contato com o material, resolve "corrigir" o filho. Ela pega o celular e filma sua atitude de repreensão: chega a bater diversas vezes na cara do jovem com um chinelo. "Você gosta de filmar as pessoas numa situação degradante? Você é 'muito homem' [sic] para filmar uma menina numa situação em que ela vai ter vergonha para o resto da vida?", diz a mineira Carol Latalisa nas imagens que se tornaram febre nas redes sociais.

No vídeo, o garoto aparece sempre acuado, com medo, enquanto a mãe pede para ele tirar a mão do rosto para que possa bater com o chinelo. Nos comentários do vídeo no Facebook, é possível ver diversas reações diferentes, porém, muitas delas favoráveis à atitude da mãe. Mas, até que ponto a violência pode ser entendida como forma de educação? "Ela reage com um modelo de educação antigo para um caso ligado à internet, que é o modelo que orienta os jovens de hoje. A mãe responde por um crime assim como o filho, que também cometeu um. Com isso, ela perde a razão", explica o psicólogo Marcelo Ricardo Pereira, que é professor da faculdade de Educação da UFMG (FAE).

O especialista lembra que a educação prega justamente o oposto da violência. Ela tende a nos orientar para a vida em sociedade, para que nos tornemos mais civilizados. "Esse modelo usado pela mãe não orienta ninguém, ao contrário, segrega, expõe, humilha. Você não está mediando a relação, e sim, punindo", diz o professor.

Veja o vídeo:



A melhor forma de tratar uma situação séria como essa, segundo Marcelo Pereira, é o diálogo. Ele explica que a retratação até poderia ser feita de forma pública, para que o jovem reconhecesse o erro e prestasse contas perante a sociedade. "Ela poderia perguntar por que ele fez aquilo, o que pensa sobre a repercussão do vídeo e o que desejava com essa atitude. E usar a mesma mídia para ele se retratar", afirma o psicólogo.

Como lembra o professor da FAE, hoje, os jovens demoram mais para sair da adolescência, que pode chegar até os 30 anos, em alguns casos. Porém, independente da fase da vida, somos educados pelo governo, a todo momento, para o convívio social, como por exemplo, com as regras de trânsito. "Suponho que esse jovem precise de muito mais orientação do que um outro que tenha vivido há 40 anos, época em que aos 15, a pessoa se comportaria como um jovem adulto de hoje", completa o especialista.

Pouco depois da grande repercussão que o vídeo de sua agressão ao filho recebeu, Carol Latalisa usou o Twitter para desabafar. "Não pedi para ninguém espalhar isso. Bati para ele aprender a lição e enviei para que ela [a ex-namorada do filho] visse que minha parte eu fiz. Eu o castiguei mesmo sabendo que não foi ele quem espalhou o outro vídeo. Castiguei pelo fato de ter filmado. E castigaria outra vez!", diz a mineira.

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