Tomar antibiótico com leite faz mal?

Especialistas mostram quais são os riscos da chamada interação medicamentosa, que pode ocorrer entre dois remédios e entre um medicamento e um alimento

por Vinícius Andrade 10/03/2015 09:31

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Misturar ansiolítico com álcool é um perigo, já que leva ao aumento da depressão do sistema nervoso central (foto: Pixabay)
Ingerir antibiótico com leite corta o efeito do medicamento? Analgésico combinado com álcool faz mal a saúde? Muitas são as dúvidas a respeito da interação medicamentosa, ou seja, quando se mistura remédio com remédio ou com algum alimento. Um exemplo bem comum é o uso concomitante de diuréticos com anti-flamatórios, que pode reduzir a eficácia da substância. No entanto, é preciso estar atento às combinações, pois algumas podem gerar reações adversas e até perigosas.

É muito comum misturar medicamentos com alimentos. De acordo com Joyce Melgaço, farmacêutica do Centro de Estudos do Medicamento (CEMED), a interação do anticoagulante varfarina (também conhecido pela marca Marevan) com alimentos ricos em vitamina K, como as folhas verde escuro, por exemplo, o espinafre, é bastante corriqueira.

"A vitamina K, por participar do processo de coagulação do sangue, reduz o efeito do medicamento. Entretanto, essa interação não contraindica a associação de varfarina com esses alimentos", explica a farmacêutica. A orientação é que o paciente coma uma quantidade constante de alimentos ricos em vitamina K, assim, o risco de trombose (obstrução de veia pela formação de um coágulo) e de hemorragia (sangramento) serão reduzidos.

Outra interação comum e bastante questionada é a de antibióticos com leite. Segundo o farmacêutico Renes de Rezende Machado, professor da UFMG, a combinação não é indicada. "O leite possui grande quantidade de cálcio, que reage com a substância e compromete a eficácia do medicamento", alerta o professor. Como mostra o especialista, o líquido recomendado para ingerir todos os tipos de medicamentos é a água, desmistificando o mito de que ela "corta" o efeito do remédio.

A combinação de álcool com medicamentos da classe dos benzodiazepínicos, como o clonazepam (também conhecido pela marca Rivotril), normalmente usado para dormir, é outro hábito comum e perigoso. "Ambos levam à depressão do sistema nervoso central, assim, o paciente pode ficar muito sedado e até perder a consciência", adverte a farmacêutica Joyce Melgaço.

Confira abaixo as interações medicamentosas de remédios muito consumidos pela população:

Àlcool x Antibiótico

O álcool pode promover um efeito diurético, e, com isso,ocorre um aumento na excreção de diversas substâncias, entre elas, os antibióticos. Além disso, a metabolização do álcool pelo fígado, gera um composto chamado acetaldeído. Os antibióticos podem reagir diretamente com o acetaldeído, diminuindo a
concentração do remédio livre no sangue, diminuindo, portanto, seu efeito.

Antibióticos x Anticoncepcionais orais

Alguns antibióticos podem provocar vômito, diarreia e outras alterações no trato gastrintestinal, reduzindo o tempo de permanência do contraceptivo no trato gastrointestinal. Assim, antibióticos como ampicilina, amoxicilina e as tetraclicinas alteram as concentrações plasmáticas dos anticoncepcionais, causando falha na proteção contraceptiva.

Tetraciclina x Leite e derivados

A mistura das duas substâncias forma um quelato (molécula composta por átomos metálicos) insolúvel no trato gastrintestinal, e associado aos cátions presentes em derivados lácteos, diminui a absorção do antibiótico em cerca de 50% a 90%, reduzindo a eficácia antimicrobiana das tetraciclinas por via oral.

Penicilinas x Alimentos

Os alimentos prejudicam a absorção das penicilinas, exceto a amoxicilina.

Cefalosporinas x Álcool

Provoca reação do tipo dissulfiram: depressão respiratória, arritmias cardíacas e convulsões, o que pode levar ao óbito.

Eritromicina x Amoxicilina e ácido clavulânico

Causa interferência no efeito bactericida do antibiótico, que passa a atuar apenas nas bactérias em multiplicação.

Metronidazol x Álcool

Sua absorção não é afetada pela ingestão de alimentos, porém, com bebidas alcóolicas, pode apresentar uma reação do tipo dissulfiram (depressão respiratória, arritmias cardíacas e convulsões)

Ansiolítico (benzodiazepínicos) x Anticoncepcionais orais

Pode levar a alterações da metabolização dos benzodiazepínicos, com possível aumento dos efeitos ansiolíticos para clordiazepóxido, diazepam, triazolam e alprazolam. Por outro lado, diminui o efeito ansiolítico de oxazepam, temazepam e lorazepam. Há ainda risco de alteração psicomotora quando reage com diazepam ou outros benzodiazepínicos

Ansiolítico (benzodiazepínicos) x Àlcool

A mistura das duas substâncias pode levar à potenciação da depressão do sistema nervoso central

Analgésico (ácido acetilsalicílico) x Ácido ascórbico (vitamina C)

Ocorre um aumento dos níveis de salicilatos no plasma, já que deixam de ser eliminados na urina. Além disso, ocorre a maior secreção urinária do ácido ascórbico, podendo levar ao escorbuto.

Analgésico (ácido acetilsalicílico) x Álcool

Pode levar ao aumento da incidência de hemorragia gastrintestinal severa, devido à lesão da mucosa. Esse tipo de analgésico também inibe a enzima que degrada o álcool, levando á maior absorção do etanol pelo organismo.

Paracetamol x Anticoncepcionais orais

Essa mistura pode causar a redução da intensidade e da duração do efeito analgésico do medicamento.

Paracetamol x Antiinflamatórios não-esteroidais (ácido acetilsalicílico, diclofenaco, fenilbutazona etc.)

Os dois remédios juntos podem potencializar o efeito farmacológico do anti-inflamatório e também seu efeito tóxico, em especial, a hemorragia.

Fonte: Revista Brasileira de Ciências da Saúde

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