Dê um xeque-mate na falta de memória

A prática do xadrez pode ajudar adultos e crianças no aprendizado e na capacidade de concentração e pensamento lógico. Em BH existem locais especializados nesse esporte

por Vinícius Andrade 12/03/2015 08:59

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Gilson Teixeira /OIMP/D.A Press
O xadrez é o esporte que demanda maior concentração e capacidade de raciocínio lógico, portanto, é muito indicado para se exercitar a mente (foto: Gilson Teixeira /OIMP/D.A Press)
Sábado pela manhã é dia da garotada curtir o clube, passear no parque ou aproveitar a cama até mais tarde. Pergunte ao João Pedro, de 6 anos, se ele quer fazer algum desses programas. "Durante a semana ele já fica na expectativa, porque sábado é dia de xadrez", conta Maria Carolina, mãe do garoto. Engana-se quem pensa que a atividade é uma imposição dos pais. Aos 3 anos, a criança assistia às partidas entre os familiares e começou a se interessar pela atividade. Além de João, outros 80 alunos, entre crianças, adultos e idosos frequentam a Casa do Xadrez, localizada no bairro Alto Barroca, região oeste de Belo Horizonte.

Criatividade, imaginação, memória, paciência e inteligência são algumas das habilidades desenvolvidas através dessa ciência, arte e esporte – o xadrez é reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional como modalidade esportiva. De acordo com Maria Carolina, a atividade tem ajudado no autocontrole do filho: "O João Pedro tem aprendido que é possível adquirir mais conhecimento se ele se esforçar. Normalmente, crianças na idade dele são muito agitadas, mas eu tenho percebido que ele consegue se concentrar por mais tempo nas atividades". O interesse do garoto também despertou a curiosidade de mãe. "Eu acompanho e aprendo muito com ele. Compro livros sobre xadrez, pesquiso na internet e leio as apostilas dele", conta a mãe.

Além da Casa do Xadrez, outros sete clubes são filiados à Federação Mineira de Xadrez (FMX). Em 2003, a entidade lançou o projeto Xadrez nas Escolas, e, desde então, recebe o apoio da secretaria de estado de Esportes e da secretaria de estado da Educação. "O objetivo do projeto é capacitar professores para o ensino do xadrez nas escolas públicas e particulares, e fomentar a prática por meio de torneios", explica Luciane Sepúlveda Viana, presidente da FMX. A federação realiza torneios oficiais e amadores por todo o estado, sendo que o atleta pode optar em participar da categoria amador ou profissional.

REUTERS/Heino Kalis
O enxadrista russo Garry Kasparov (dir.) é considerado o melhor jogador de xadrez de todos os tempos e um exemplo para muitos apaixonados por esse esporte (foto: REUTERS/Heino Kalis)


No mês de março, João Pedro vai disputar o primeiro campeonato de xadrez. O coração de mãe já está aflito, mas ela apoia a decisão do garoto. "Eu acho que ele é muito novinho, eu esperava que fosse começar a competir com oito anos, mas, às vezes, a gente também subestima a capacidade das crianças. Então, vou apoiar", afirma Maria Carolina Tomás.

O psicólogo Julio Lapertosa, responsável pela Casa do Xadrez, inaugurada no ano 2000, acredita que o jogo pode ajudar no desenvolvimento intelectual de crianças e adolescentes. "A prática do xadrez desenvolve o controle de tempo; treina o pensamento lógico e o raciocínio diante do estresse. Recebemos alunos de 5 anos até adultos da melhor idade. Em 2016, lançaremos o curso para crianças de 2 a 4 anos com uma didática diferenciada", revela o professor.

Profissionalismo

Minas Gerais já revelou nomes de destaque no mundo do xadrez. Em 2007, Arthur Chiari, que na época tinha 10 anos de idade, foi a primeira criança brasileira a receber o título de mestre enxadrista da Federação Internacional de Xadrez. Outro atleta reconhecido internacionalmente é o belo-horizontino Roberto Molina, de 30 anos, campeão brasileiro universitário e bicampeão mineiro em 2007 e 2008.

No mundo, o grande nome do esporte é o russo Garry Kasparov, de 51 anos, ex-campeão mundial de xadrez – só o tradicional torneio de Linares, na Espanha, ele venceu nove vezes –, ficou famoso por ter enfrentado o computador Deep Blue, em 1996, com três derrotas e dois empates. Hoje, ele está aposentado, mas viaja pelo mundo dando palestras e cursos sobre a atividade.

A mãe de João Pedro não exige que o filho tenha a mesma trajetória, mas espera que ele colha bons frutos no futuro. "Os valores que são ensinados para ele, agora, vão permanecer pela vida toda. Eu indico a atividade para outras crianças e espero que ele continue praticando", completa.

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