Há 30 anos a democracia retornava ao Brasil

Dia 15 de março: além das manifestações contra o governo de Dilma, que se espalharam pelo país, a data lembra o fim da ditadura militar, em 1985

16/03/2015 10:56

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Arquivo Senado/ABr/Divulgação
No dia 15 de março de 1985 o país presenciava diferentes sensações: alegria pela volta da democracia, e apreensão pela doença de Tancredo Neves (foto: Arquivo Senado/ABr/Divulgação)
Foi uma cerimônia rápida e sem discurso. Na manhã de 15 de março de 1985, sexta-feira, o Congresso Nacional deu posse a José Sarney. O novo vice-presidente, logo em seguida, dirigiu-se ao Palácio do Planalto. Lá, no papel de presidente interino, fez um pronunciamento quase lacônico aos novos ministros.

"Eu estou com os olhos de ontem", diz na abertura do discurso, referindo-se à madrugada que ele, angustiado, passara em claro. Não só ele. O Brasil todo estava atônito. Na noite anterior, a 12 horas da posse, Tancredo Neves, o presidente eleito, era levado às pressas ao Hospital de Base, em Brasília, para ser submetido a uma cirurgia no abdome.

A posse era aguardada com ansiedade porque marcaria a volta do país às liberdades democráticas, após 21 anos sob as rédias da ditadura. Entretanto, temia-se que os militares usassem a ausência de Tancredo como pretexto para impedir a posse do vice e dar um novo golpe.

A madrugada mais longa da República completou 30 anos no domingo, 15 de março de 2015.

As esperanças da população, foram todas depositadas na eleição indireta de 1985. Mais especificamente, na candidatura opositora ao governo militar. Em 15 de janeiro, o Colégio Eleitoral (formado pelos senadores e deputados, além de delegados das assembleias legislativas dos estados) elegeu Tancredo, com 480 votos. A vitória foi esmagadora. Paulo Maluf, o candidato governista, obteve 180 votos.

Ainda na véspera da posse, o senador Martins Filho (PMDB-RN) subiu à tribuna para também explicar a relação entre as Diretas Já e a ascensão de Tancredo: "O presidente Tancredo Neves não é do meu partido, nem do PFL, nem da Aliança Democrática. É, antes de tudo, o presidente feito pelo povo. O povo que saiu às ruas, aos milhões, num clamor por eleições diretas. O povo que, traído por representantes que não ouviram seu apelo tão enfático, agarrou-se a Tancredo como que a uma bandeira. Bem-vindo, presidente! Bem-vinda, Nova República!".

Arquivo Senado/Divulgação
Milhares de pessoas lotaram o gramado da esplanada dos ministério em Brasília para a posse de José Sarney como presidente interino do Brasil (foto: Arquivo Senado/Divulgação)


A hospitalização, às 22h do dia 14, impossibilitava a presença de Tancredo na posse, às 10h do dia 15. Brasília assistiu a várias reuniões políticas pela madrugada adentro. Não estava claro se o vice poderia assumir o poder sem o titular já estar empossado.

Entre os documentos guardados no arquivo do Senado está a ata de uma reunião, realizada antes de amanhecer, da cúpula do poder legislativo — os presidentes do Senado, José Fragelli (PMDB-MS), e da Câmara, Ulysses Guimarães (PMDB-SP), e os líderes partidários das duas casas. Eles decidiram o futuro. "Ouvidos todos os presentes, houve inteira concordância no sentido de que, mediante a apresentação de laudo médico que comprove a impossibilidade de o presidente eleito ser empossado nessa solenidade, a mesa do Senado deverá dar posse ao vice-presidente eleito", diz a ata.

Informado da decisão por telefone, Sarney não conseguiu dormir. Às 10h, ele chegava ao Congresso para prestar juramento como vice-presidente e assumir interinamente a presidência.

José Sarney encontrou o Palácio do Planalto vazio. O presidente João Figueiredo se recusara a passar a faixa presidencial para o vice. Eles eram inimigos desde que Sarney deixara a presidência do partido governista, o PDS, e se juntara à oposição, levando consigo correligionários insatisfeitos com o governo militar. Figueiredo saiu do Planalto pela porta dos fundos assim que a sessão no Congresso Nacional terminou.

O jornalista Antônio Britto seria o secretário de imprensa do governo Tancredo e acabou sendo o porta-voz das informações médicas — foi ele quem comunicou ao Brasil a morte do presidente, num anúncio transmitido ao vivo pela TV e pela rádio. Britto afirma que o "sacrifício pessoal" de Tancredo é comparável ao de Getúlio Vargas, que em 1954 se suicidou para impedir que os militares dessem um golpe de estado. Ele diz: "Trinta anos atrás, as ruas do país foram ocupadas por milhões que choravam por um político. Não se imagina algo parecido ocorrendo hoje. A população nutre uma perigosa rejeição à política. Precisamos refletir sobre o que aconteceu com a política e os políticos no Brasil".

(com Agência Senado)

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