BH está a caminho de ter um veículo por habitante

Com uma frota tão grande, qual a solução para o trânsito da capital, que se torna cada vez mais estrangulado?

por Vinícius Andrade 17/03/2015 09:18

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Edesio Ferreira/EM/D.A Press
Em 2015, a média de emplacamentos em Belo Horizonte chega a 552 veículos por dia (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Sair de carro em Belo Horizonte é um verdadeiro teste de paciência, especialmente nos horários de pico. O excesso de veículos tem deixado o trânsito caótico e cada vez mais afunilado. Em 2013, a capital registrou o emplacamento de quase 200 veículos por dia, fazendo com que a frota chegasse a 1.276.797 em setembro do mesmo ano. Em 2014, o número atingiu 1.632.215, e em 2015, a frota circulante registrada até o dia 9 de março aponta 1.643.873, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Ainda segundo o Detran, a média de emplacamentos este ano em Belo Horizonte é de 552 veículos por dia, sendo 391 automóveis. Caminhonetes e motocicletas aparecem logo em seguida com as maiores médias: 58 e 51, respectivamente. O último senso divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, mostra que Belo Horizonte possui 2.491.109 habitantes. Portanto, conforme os números do Detran, até o dia 9 de março de 2015, estima-se que a cada 10 belo-horizontinos, aproximadamente seis possuem um automóvel.

O crescimento significativo na frota de veículos aumenta a necessidade de soluções para o trânsito da capital. De acordo com a BHTrans, a integração das redes, o gerenciamento da demanda e a qualidade dos serviços de transporte público são as principais alternativas. A empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte pretende aumentar o percentual de viagens coletivas de 54,2% para 70% até 2030. Os principais projetos previstos são a expansão do metrô, implantação do "corta caminho" – compreende 148 intervenções viárias que criarão alternativas de trânsito de uma região a outra da cidade –, conclusão da duplicação da avenida Pedro I e valorização do transporte seguro e sustentável.

Já para o professor Dimas Alberto Gazolla, do departamento de Transporte da escola de Engenharia da UFMG, a solução para o trânsito caótico não está nas medidas convencionais como a construção de viadutos e alargamento de vias. "O que vai melhorar o trânsito de Belo Horizonte é a lei de escalonamento de horários de atividades. Os horários de pico da manhã e da tarde precisam ser eliminados", explica. De acordo com o especialista, é preciso que seja elaborado um projeto de lei para criar e regulamentar uma tabela de horários. "Por exemplo, as aulas até primeiro grau poderiam começar às 8h. As do ensino médio poderiam iniciar às 10h. O importante é diluir as atividades, para que não haja tanta coincidência de horários", completa.

Outra medida defendida pelo professor Dimas é o transporte público. Entretanto, ele ressalta a necessidade da prefeitura em privilegiar projetos que façam com que os condutores escolham os ônibus e o sistema de metrô. "O governo tem de dificultar a vida de quem sai de carro. Um exemplo é diminuir o número de vagas de estacionamento e colocar mais placas que proíbam o condutor de virar à esquerda ou à direita. É preciso fazer estudos e melhorar a qualidade do transporte coletivo", ressalta.

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