Você conhece o herpes ocular?

Muito parecido com o que acomete os lábios, o herpes que ataca os olhos surge quando a pessoa está com baixa imunidade ou sob estresse intenso

por Da redação com assessorias 31/03/2015 10:25

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O vírus que causa o herpes ocular pode ficar inerte por anos e atacar quando a pessoa está com baixa imunidade ou estressada (foto: Pixabay)
Doença bastante tratável, mas ainda incurável, o herpes ocular é uma infecção provocada pelo mesmo vírus da doença labial: o herpes simplex (HSV). Existem mais de 80 tipos de vírus do herpes e eles se diferenciam de várias formas. Mas, uma coisa eles têm em comum: percorrem os nervos até se alojarem numa terminação nervosa – onde passam períodos de inatividade. Quando acomete lábios e pele, o diagnóstico do herpes é bastante fácil. O problema é quando o vírus atinge os olhos, já que a doença pode ser mal diagnosticada e tratada indevidamente – aumentando os riscos, inclusive, de o paciente perder a visão.

Na opinião do oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, é preciso ter bom conhecimento para distinguir o herpes ocular do herpes zoster (causado pelo vírus da varicela), de infecções, de intoxicação ocular provocada por medicamentos etc.

Assim como o labial, que pode surgir novamente quando a imunidade da pessoa está em baixa, dados da Academia Americana de Oftalmologia revelam que, depois do episódio inicial do herpes ocular, há 27% de chance de acontecer novamente dentro de um ano; 50% em cinco anos; e 63% em 20 anos. "Infecções recorrentes incomodam muito os pacientes, já que a doença pode surgir na infância e voltar a incomodar de tempos em tempos. Vale ressaltar que o herpes ocular pode acometer qualquer camada dos olhos, mas, as manifestações mais comuns incluem blefarite (inflamação das pálpebras), conjuntivite folicular e ceratite (inflamação da córnea). Outro ponto importante: nada tem a ver com o herpes genital, que é uma doença sexualmente transmissível", diz Neves.

De acordo com o médico, geralmente a pessoa entra em contato com o vírus herpes simplex ainda na infância. "Em determinados casos, a criança é tratada de uma infecção moderada. O vírus invade os olhos e chega ao gânglio trigeminal, onde encontra condições ideais para se instalar e se tornar latente. Ao longo da vida, principalmente quando a pessoa passa por episódios de estresse intenso, traumas ou períodos de  baixa imunidade, esse vírus faz o caminho de volta para a córnea e se manifesta com o herpes ocular. O tratamento imediato com medicamentos antivirais específicos ou antibióticos interrompe a multiplicação do vírus e impede que a doença continue destruindo as células epiteliais".

Embora o estresse seja um gatilho importante para a manifestação da doença, o oftalmologista Renato Neves afirma que problemas de saúde bucal, queimaduras de sol, traumas e períodos pós-cirúrgicos também podem desencadear novos episódios de herpes ocular. "Mais da metade da população mundial já entrou em contato com esse vírus. O importante é que a doença seja devidamente diagnosticada e tratada, a fim de não se agravar. Em determinados casos, mais severos, o tratamento indicado é o transplante de córnea".

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