Situação do cemitério do Bonfim é discutida em audiência na Câmara Municipal

Vereadores ouvem reclamação de moradores da região sobre a situação de 'abandono' desse espaço público, que é o primeiro cemitério de Belo Horizonte e possui rico patrimônio artístico e histórico

08/04/2015 10:08

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Cláudio Cunha
O cemitério do Bonfim foi construído em 1897 e é um importante patrimônio de BH, mas, de acordo com moradores da região, está sendo deixado de lado pelas autoridades (foto: Cláudio Cunha)
Mato alto, animais peçonhentos, túmulos rachados, vandalismo e furto de peças, deficiências na infraestrutura e na drenagem pluvial foram alguns dos problemas apontados na audiência pública sobre a situação do Cemitério do Bonfim, realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Acolhendo as sugestões dos participantes, a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da casa fará uma visita técnica ao local e encaminhará ofício à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) cobrando prazos para o atendimento das demandas da comunidade e cumprimento das determinações do Ministério Público.

Fundado em fevereiro de 1897, o cemitério do Bonfim é o mais antigo da capital e, de acordo com o vereador Adriano Ventura (PT), integrante da comissão e responsável pela audiência pública, o espaço possui um rico acervo de arte sacra, constituído por peças e esculturas fabricadas por artistas consagrados em materiais nobres como mármore e bronze. Além disso, o espaço possui valor histórico, afetivo e cultural para moradores e turistas ao abrigar políticos, escritores e outras personalidades ilustres ou que se destacaram na história da cidade, do estado e do país.

Autor da Lei Municipal 10.655/13, que incluiu o cemitério do Bonfim no roteiro turístico-cultural da cidade, incentivando a promoção de estudos e visitas programadas ao local, Ventura destaca a luta antiga dos moradores da região não apenas pela requalificação do campo santo, mas também de seu entorno, uma das áreas mais antigas e tradicionais da cidade. O vereador pediu à PBH maior zelo e um "carinho especial" pela região da Lagoinha, hoje marcada pela deterioração e o abandono, deficiências de transporte público e insegurança.

Líderes dos movimentos comunitários Arca Bonfim e Lagoinha Viva, Selma Cândida e Tereza Vergueiro apresentaram as queixas e denúncias partidas de moradores da região e visitantes do cemitério, que há muito tempo vêm cobrando soluções para questões como a deterioração dos muros, que lhe conferem um aspecto de desleixo e abandono, ausência de lanchonetes, bebedouros e outros itens para o conforto dos usuários, áreas de descanso e vestiários adequados para os funcionários, presença de mato, insetos e animais peçonhentos, túmulos quebrados e abandonados, lixo e falta de segurança no interior e nos arredores, além da formação de enxurradas e alagamentos em épocas de chuva.

Cláudio Cunha
Muitos túmulos do Bonfim atraem visitantes pelas obras de arte e pelas figuras ilustres ali enterradas, como o ex-governador de Minas, Benedito Valadares (foto) (foto: Cláudio Cunha)


O zelador do cemitério Helbert Dias da Silva admitiu a existência de contratos informais entre famílias e funcionários para limpeza e manutenção dos túmulos, que variam em média entre R$ 15 a R$ 50 por mês e explica que está sendo feito um projeto com o objetivo de formalizar e regulamentar a prestação do serviço.

Além disso, os participantes da audiência sugeriram a criação de um museu para abrigar peças sacras e materiais abandonados e recuperados do local, além de uma maior atuação da polícia para coibir a receptação de peças furtadas e da presença de profissionais da saúde para atender o público em casos de emergência.

Representando a prefeitura, Roberto Abrantes e Eduardo Couto, da Fundação de Parques Municipais, e Islande Batista, gerente de Necrópoles da PBH,  informaram os participantes sobre o andamento das ações previstas para o local. Em relação à lanchonete, foram relatadas dificuldades enfrentadas pelo vencedor da licitação, cujo prazo ainda está vigente; o credenciamento de construtores e letristas; e a instalação de concertinas sobre os muros para melhorar a segurança. Quanto à conservação dos túmulos e à recolocação de peças quebradas e furtadas que são recuperadas, Couto apelou às famílias, que precisam identificar as peças e autorizar intervenções nas sepulturas.

Sobre os muros, cartão de apresentação do cemitério ao visitante, o diretor de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura, Carlos Henrique Bicalho, informou que o tombamento da estrutura está previsto já para este ano e definirá os critérios para sua restauração. Reconhecendo o valor histórico e o potencial turístico do espaço, o gestor destacou a importância da colaboração da comunidade no resgate de registros e documentos históricos pertinentes.

Visita e ofício

Como encaminhamentos da reunião, a pedido dos vereadores Adriano Ventura e Leonardo Mattos (PV), será feita uma visita técnica ao cemitério para verificar de perto as condições denunciadas, além de encaminhamento de ofícios à prefeitura, solicitando informações sobre as ações em andamento e cobrando o cumprimento imediato das determinações emergenciais da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico do Ministério Público de Minas Gerais como podas, capina, limpeza, dedetização e medidas de segurança para os usuários do cemitério, bem como a elaboração de projeto para o restauro e a requalificação do patrimônio público.

(com assessoria da CMBH)

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