Segundo Unesco, Brasil cumpriu apenas duas das seis metas do pacto pela educação

O órgão vinculado à ONU diz, em relatório, que nosso país avançou apenas no acesso à educação primária e na garantia do ensino a ambos os gêneros

09/04/2015 10:54

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Marcos Santos/USP Imagens/Divulgação
"O Brasil avançou muito em todas as metas, no entanto, não conseguiu alcançar em sua totalidade algumas delas", diz coordenadora de educação da Unesco no Brasil (foto: Marcos Santos/USP Imagens/Divulgação)
O Brasil cumpriu duas das seis metas do Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo nossos Compromissos Coletivos, firmado no ano 2000 por 164 países. De acordo com o último relatório de monitoramento divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), apenas um terço dos países cumpriu as metas.

Das seis metas da agenda, o Brasil conseguiu universalizar o acesso à educação primária, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, e incluir meninos e meninas na escola, independentemente do gênero. Reduzir o analfabetismo dos adultos, garantir educação de qualidade aos jovens e as crianças com menos de 5 anos de idade continuam sendo desafios para o país. "O Brasil avançou muito em todas as metas, no entanto, não conseguiu alcançar em sua totalidade algumas delas. Sabemos que o país tem um tamanho continental, são milhares de escolas, professores, alunos, tem uma grande complexidade, mas tem todo o potencial para alcançar as metas", avalia Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco no Brasil.

O país precisa vencer o analfabetismo, que atinge ainda 8,3% da população com mais de 15 anos, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. Segundo a Unesco, precisamos melhorar o ensino médio, em termos de atratividade e da oferta do ensino técnico público. Além disso, por lei, até 2016, o Brasil terá de colocar todas as crianças de 4 e 5 anos, cerca de 700 mil, no ensino infantil.

No relatório da Unesco, o país é citado como o que "teve os ganhos mais substanciais entre as crianças das famílias mais pobres comparados com os de famílias menos pobres". Um dos fatores para isso ter ocorrido são os programas de inclusão de renda como o Bolsa Família, que é citado mais de uma vez no documento. O texto, no entanto, ressalta que o programa não possibilita resolver a questão da inclusão: "Mesmo programas relativamente bem orientados como o Bolsa Família não chegam aos extremamente pobres e não resolvem os seus desafios".

Rebeca Otero ressalta que, apesar de vencida a meta da universalização do ensino fundamental, o Brasil, que chegou a uma taxa de 97% de inclusão, ainda não atende plenamente a populações mais vulneráveis como a indígena, quilombola e de pessoas com deficiência. Em relação à questão de gênero, a coordenadora diz que faltam políticas nacionais orientadas para tal. Para Rebeca, a suspensão do chamado kit anti-homofobia, que seria distribuído nas escolas para a abordar, a homossexualidade e questões de gênero foi um retrocesso. "O Brasil tem passado nesse âmbito um certo retrocesso, tem tido algumas restrições nesse sentido. É importante buscar trabalhar isso [questões de gênero e sexualidade] com os nossos jovens para que não haja retrocesso", lembra Rebeca.

Pedro Ivo de Oliveira/EBC/Divulgação
(foto: Pedro Ivo de Oliveira/EBC/Divulgação)


(com Agência Brasil)

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