Aposta na polivalência

Peugeot 2008 chega com a missão de dar novo gás à marca do leão. Chamado de crossover, ele entra na briga dos SUVs compactos e se destaca por oferecer motor turbo flex com 173 cv de potência, que o transforma em 'foguete'

por Fábio Doyle* 10/04/2015 10:26

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Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação
O Peugeot 2008 será vendido em cinco versões, todas flex, e somente a topo de linha usará o 1.6 turbo de 173 cv (foto: Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação)
No cenário deslumbrante do Campo Bahia, refúgio do time alemão campeão da Copa do Mundo, na pequena aldeia de Santo André, Bahia, a Peugeot lançou para o mercado brasileiro o carro com que a marca francesa do leão pretende dar uma reviravolta em sua participação no mercado brasileiro, o 2008. Como outras marcas, a situação de vendas da Peugeot no Brasil é muito aquém do desejado. Se não ocorrer um novo e forte impulso, a viabilidade do negócio Peugeot no País pode até se tornar inviável. E para que isso não acontece a Peugeot aposta suas fichas no novo produto.

Derivado da plataforma do 208, a Peugeot classifica o 2008 como um crossover. É mais um segmento inventado pela indústria. Poderia ser chamado de carro ‘três em um’, uma vez que nas explicações da marca trazem as características de Hatchbacks, dos Minivans (MPV) e dos Utilitários Esportivos (SUV). Deixando de lado a questão semântica o 2008 é mais um SUV compacto que chega para disputar espaço no mais concorrido segmento do mercado. Ele chega para conquistar espaço no quintal do Ford Ecosport, Renault Duster, Chevrolet Tracker, Honda HRV e Jeep Renegade.

No primeiro contato com o 2008, percorrendo trajetos mistos de asfalto e um considerável trecho de trilhas de terra e areia sob a chuva, que caiu com força na região de Porto Seguro nos primeiros dias desta semana, o desempenho do 2008 impressionou. Apesar de não ser um off road puro sangue (a tração é 4x2) o “crossover” compacto, em sua versão THD, a mais potente, de 173 cv, enfrentou com facilidade o percurso de cerca de quase quilômetros.

Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação
(foto: Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação)


O 2008 tem design que deve agradar ao consumidor brasileiro. É moderno, cheio de estilo e sem exageros, com linhas harmônicas e suaves, destacando sua personalidade estradeira por uma linha elevada sobre as portas e pela altura do solo que, em relação ao modelo europeu, é 200 milímetros mas alta. O 2008, já fabricado na Europa (França) e China, passa a ser agora produzido na fábrica PSA (Peugeot/Citroën) de Resende (RJ).

No interior, o acabamento e conforto só merecem elogios. O material do painel, do volante, dos bancos e das portas é nitidamente de boa qualidade. Na versão THD, os bancos têm encosto e assentos emoldurados em couro (legítimo) e as partes centrais em tecido. O acabamento do painel e portas são emborrachados, macios e de toque agradável. O volante multifunções, com ajuste de distância e altura, de diâmetro menor é muito especial, tem ótima empunhadura e transmite sensação de esportividade tornando mais agradável o ato de dirigir. A direção é de assistência progressiva elétrica.

Outro detalhe interessante é o painel de instrumentos que ficam a uma altura mais elevada, no mesmo nível de visão dos olhos do motorista, o que é um fator a mais na segurança. Os números e indicadores são também de fácil leitura. É uma boa sensação de conforto e segurança. O freio de mão do 2008 foi inovado em termos de design “tipo aviação”. É acionado por meio de uma alavanca em formato ergonômico que se molda à palma da mão. Oferece ainda a vantagem de liberar espaço no console central.

Aplicativo

No campo da conectividade, além dos sistemas já existentes e conhecidos, o 2008 inova coma introdução do Link My Peugeot. Trata-se de um aplicativo para IOS e Android que pode ser baixado no smartphone. O usuário recebe via Bluetooth informações da central multimídia e poderá acessá-las diretamente na tela do smartphone. Será possível, por exemplo, acompanhar a autonomia, o consumo, distância e tempo dos trajetos realizados, seguir um itinerário previamente indicado no sistema de navegação e ainda determinar o ponto da última localização do modelo. O aplicativo, que estará disponível a partir de 15 de maio, também informará quanto tempo falta para a próxima revisão do carro.

Peugeot Brasil/Divulgação
(foto: Peugeot Brasil/Divulgação)


Com tração dianteira, a 2008 traz em sua versão mais cara o potente, a Griffe 1.6 THP, o sistema anti-derrapagem Grip Control, que o torna mais próprio para enfrentar terrenos de baixa aderência. Com comando no console central o sistema permite configurar a tração das rodas de acordo com o piso em que o carro está. São quatro alternativas: a de uso em uso normal em rodovias, a de uso em piso de neve e gelo, a de uso em lama e a que desliga o sistema. O 2008 oferece um teto de vidro panorâmico de 0,60 m2 de área útil com cortina do teto de controle elétrico para regular a entrada de luz.

São duas as motorizações em oferta para o 2008 no Brasil. Em sua versão topo de gama, o crossover ganha o motor turbo THP Flex de 173cv e passa a ser o mais potente SUV do segmento, além de se tornar o primeiro modelo a vir equipado com um propulsor bicombustível de injeção direta com turbo compressor. No desenvolvimento desse motor, que tem classificação “A” no programa de etiquetagem do INMETRO, buscou-se um compromisso equilibrado entre desempenho e economia de combustível. No trajeto do test drive que nossa reportagem cobriu ao volante de uma unidade da versão THP o consumo médio registrado no computador de bordo foi de 7,9 km/litro, dirigindo sempre solicitando o máximo do motor.

O 2008 THP vem equipado com caixa de câmbio manual de 6 velocidades. É um sistema moderno e com marchas precisas. A ausência da oferta da caixa automática de seis velocidades, que a Peugeot já oferece em modelos maiores, foi justificada pela engenharia da Peugeot com o argumento que a plataforma utilizada pelo 2008 (a mesma do 208) não oferece espaço suficiente para abrigar a caixa de câmbio de seis velocidades.

Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação
(foto: Pedro Bicudo/Peugeot Brasil/Divulgação)


Para os que não fazem questão de tanta potência o 2008 pode ser comprado equipado com o motor 1.6l 16V FlexStart, que dispõe do sistema que elimina o reservatório de gasolina para realizar a partida a frio. O propulsor, também classificação “A” no programa de etiquetagem do Inmetro, desenvolve 122 cv de potência a 5.800 rpm quando abastecido com etanol e de 115 cv a 6.000 rpm com gasolina.

Nessa motorização, o crossover oferece duas opções de câmbio: uma caixa manual de cinco velocidades à frente e uma transmissão automática sequencial de quatro marchas, com possibilidade de trocas por meio de “paddle shift” na coluna de direção.

Mercado

A expectativa da Peugeot é que o 2008 responda por até 30% das vendas da marca no Brasil.

Com entregas à rede de concessionários da marca já iniciadas o preço da versão de entrada, a Allure 1.6, 122 cv e câmbio manual de cinco marchas é de R$ 67.190.

A Griffe 1.6 THP, que tem motor turbo com injeção direta, 173 cavalos, câmbio manual de seis marchas tem preço sugerido de R$ 79.590.

“A produção do carro no Brasil custou R$ 400 milhões entre o desenvolvimento para o mercado e as adaptações na fábrica de Porto Real”, disse Miguel Figari, diretor-geral da Peugeot do Brasil. O índice de nacionalização é de 80%, garante o executivo.

“Nossa expectativa é vender mil unidades por mês”, estima o diretor de marketing, Frederico Battaglia.

Peugeot Brasil/Divulgação
(foto: Peugeot Brasil/Divulgação)


A Peugeot vem enfrentando queda de vendas e participação no mercado de automóveis e comerciais leves. Em 2010 a marca ocupava o 9º lugar no ranking de emplacamentos da Fenabrave, com vendas de 90.326 unidades e participação de 2,71% do mercado. Em 2014 fechou o ano em 12º lugar, com vendas de 40.530 unidades e participação de 1,22%.

Cinco versões

O 2008 será vendido em cinco versões, todas flex, e somente a topo de linha usará o 1.6 turbo de 173 cv. Das quatro opções com 122 cv, duas têm transmissão automática de quatro marchas (com aletas para trocas atrás do volante). A opção Allure com essa caixa sai por R$ 70.890 e é a mais em conta entre os concorrentes nacionais automáticos.

Diante da grande quantidade de rivais, Frederico Battaglia e o diretor-geral da Peugeot do Brasil, Miguel Figari, preferiram não dizer em qual ou quais deles a montadora vai apontar o 2008. Battaglia acredita que a versão mais vendida será a Griffe 1.6 automática, tabelada em R$ 74.990. Seu concorrente nacional com preço mais próximo é o Honda HR-V, tabelado em R$ 75,4 mil. Ele também se arrisca a dizer que a opção mais cara, Griffe THP, responderá por 10% a 15% num primeiro momento “e tende a cair depois”.

O novo Peugeot tem três anos de garantia com assistência 24 horas e revisões com preços predeterminados conforme a quilometragem (de 10 mil até 60 mil). Para os 1.6 de 122 cv, variam de R$ 372 a R$ 916. No caso do 1.6 THP, custam entre R$ 426 e R$ 992.

Equipamentos

Desde a versão mais acessível, o 2008 traz central multimídia com tela sensível ao toque, ar-condicionado com duas zonas distintas de temperatura, airbags laterais, sensor de estacionamento traseiro, rodas de liga leve de 16 polegadas, controlador automático de velocidade, barras no teto, vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico.

As versões Griffe vêm também com três apoios de cabeça traseiros, airbags do tipo cortina, acionamento automático dos faróis e do limpador de para-brisa, teto solar panorâmico, sensores traseiro e dianteiro de estacionamento.

E o Griffe THP tem ainda assistente de partida em subidas, controle eletrônico de estabilidade e o sistema Grip Control, um seletor no console central que permite melhorar a tração em diferentes situações: neve, barro, areia e asfalto.

O sistema Isofix, para fixação mais segura das cadeiras de transporte de bebês, presente em todas as versões do 2008 vendido no mercado europeu, não foi incluído no 2008 oferecido ao consumidor brasileiro. A obrigatoriedade desse item para carros produzidos e vendidos no Brasil está na pauta do Congresso brasileiro.


* O jornalista viajou a convite da Peugeot Brasil

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