Aplicativo Uber não é bem visto por taxistas

Os motoristas profissionais reclamam que o programa de carona remunerada contradiz a legislação, já que, segundo eles, seria uma forma de transporte ilegal de passageiros

por João Paulo Martins 10/04/2015 18:24

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Paulo Pinto/Fotos Públicas/Divulgação
No dia 8 de abril taxistas em São Paulo fazem manifestação contra o uso do aplicativo Uber, que seria uma forma 'ilegal de transporte de passageiros' (foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas/Divulgação)
Sexta-feira, cinco da tarde, e você precisa se deslocar de um lado para o outro de Belo Horizonte: qual a melhor forma de deslocamento? Ultimamente, muitos diriam que a melhor escolha é o aplicativo Uber, que funciona como uma espécie de carona compartilhada remunerada, em que motoristas comuns cedem espaço em seus carros para qualquer pessoa, cobrando pela quilometragem percorrida – o "passageiro" pode pagar a "corrida" antecipadamente no site do programa, usando cartão de crédito. O problema é que essa atividade está entrando em choque com a dos taxistas.

"A carona remunerada, neste caso, de carona não tem nada. É mentira. Isso que fazem é serviço de táxi. A carona compartilhada não tem problema nenhum. As pessoas se juntam num mesmo carro e seguem para um destino em comum", reclama Edmilson Americano, presidente da Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Táxi (Abracomtaxi).

Na quarta-feira dia 8 de abril, taxistas fizeram uma manifestação contra o "transporte irregular de passageiros". "Nenhum carro particular que não seja licenciado pelo Detran pode transportar passageiros de forma remunerada. O Código de Trânsito Brasileiro já proíbe isso. Hoje, a forma como esses aplicativos atuam, seria o mesmo que eu comprar um ônibus e fazer um itinerário, para pegar passageiros. Não posso fazer isso", diz o presidente da Abracomtaxi.

O Uber está presente em 40 países e em mais de 160 cidades. Porém, não foi apenas no Brasil que ele encontrou barreiras para ser implantado de forma legal. Em dezembro do ano passado, o aplicativo foi proibido na Espanha, por decisão judicial, e, desde então, não fornece mais o serviço de carona remunerada para os espanhóis. Ele também já está fora de ação na Bélgica, na Holanda, na Tailândia e, desde janeiro deste ano, também na França.

"Não somos contra aplicativos de carona compartilhada, sem fins lucrativos, já que isso é bom para a mobilidade urbana. Também não somos contra aplicativos que trabalham dentro da legalidade, como de serviço de táxis e de contratação de serviço de ônibus. Nós somos, na verdade, em favor do cumprimento da lei", completa Edmilson Americano.

Por enquanto, em Belo Horizonte, o Uber continua funcionando, e, segundo os representantes do aplicativo, aguarda a regulamentação desse serviço, já que foge da lógica do sistema de táxi, que é coordenado pela BHTrans.

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