Brasileiros gastam até R$ 18 mil por ano com produtos de luxo, diz SPC Brasil

A pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito mostra que, em média, 35% da renda mensal do consumidor são utilizados na compra de produtos considerados de luxo

por Da redação com assessorias 15/04/2015 13:45

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Segundo pesquisa do SPC Brasil, a classe A no Brasil entende como luxo o prazer de poder viajar quando quiser (foto: Pixabay)
Um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz mapeou o significado do luxo para os brasileiros das classes A, B e C e identificou suas concepções, experiências, consumo e o quanto eles investem na compra dos produtos e serviços desse segmento. A pesquisa revela que não existe mais um conceito único sobre o que é luxo, e sim, novas concepções de que ele é possível e acessível para as pessoas.

Segundo os dados, em média, 35% da renda mensal dos consumidores é utilizada para serviços ou produtos que consideram de luxo. Em um ano, isso totaliza cerca de R$ 18 mil em gastos – o percentual aumenta expressivamente entre a classe C (44% da renda mensal, 12 mil de gastos por ano) se comparada com as classes A e B (19% da renda mensal e 40 mil de gastos por ano; e 36% da renda mensal e 29 mil de gastos por ano, respectivamente). O SPC Brasil identificou também um dado bastante curioso: 68% dos consumidores desse mercado pertencem à classe C.

Considerando o luxo que os entrevistados permitem a si mesmos, os itens mais citados são viagens (22%), alimentação (19%), produtos de beleza e perfumaria (10%), moda (10%) e carros (7%). De acordo com a pesquisa, 89% dos entrevistados já consumiram artigos que consideram de luxo pelo menos uma vez – 58 milhões de brasileiros em números absolutos.

A pesquisa também revela as diferenças no conceito do luxo para as diferentes classes sociais. Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, em princípio, esse dado pode parecer estranho, mas é compreensível quando se analisa o que as pessoas consideram ser uma vida de luxo. "Quando se fala especificamente em produtos de luxo, marcas famosas sempre foi vem à cabeça, independente da classe social, mas os dados da pesquisa comprovam que a concepção de luxo muda de acordo com as possibilidades financeiras".

Os resultados sugerem que, para os pertencentes da classe A, o luxo tem mais a ver com a experiência proporcionada ao invés da compra apenas, ou seja, poder viajar sempre que quiser (63% na classe A contra 42% na classe C), passar o tempo ao lado de pessoas queridas (39% na classe A contra 30% na classe C), frequentar bons restaurantes e ter acesso a produtos e serviços de qualidade.

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A classe C, de acordo com a pesquisa, acha que luxo é poder comprar algo que se quer sem levar em conta o orçamento familiar (foto: Pixabay)


Ao mesmo tempo, uma perspectiva diferente é percebida entre os consumidores da classe C. Entre eles, a associação entre luxo e consumo sem restrição é mais forte, ou seja, luxo é poder comprar o que se quer, sem ter de fazer contas ou cortes no orçamento (52% na classe C contra 39% na classe A).

"A classe C ainda tem restrições no consumo, portanto, o luxo, que muitas vezes coincide com o imaginário de sonho, está justamente relacionado a ir além da restrição. A classe A, que vivencia menos a restrição de consumo, tem como desejo as experiências, principalmente aquelas relacionadas com lazer", explica a economista.

Para Marcela, mesmo em um país com contrastes sociais, milhões de brasileiros preocupam-se em melhorar o padrão de consumo, ainda que pontualmente. "O consumo significa experiência e pertencimento, e a compra de produtos e serviços de luxo mostra que muitos brasileiros estão dispostos a pagar mais - desde que o resultado tenha a ver com sensações positivas, visibilidade e exclusividade, tanto que 75% dos entrevistados concordam que todos deveriam ter acesso a um produto de luxo pelo menos uma vez na vida", analisa.

Metodologia

A pesquisa do SPC Brasil ouviu 945 pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e pertencentes às classes A, B e C, nas 27 capitais, entre fevereiro e março de 2015.

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