Estado brasileiro está dizimando uma raça inteira, diz pesquisador do Ipea

Segundo o representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, entre 2002 e 2012, das 60 mil mortes violentas registradas por ano, morreram 70% a mais de negros do que brancos

16/04/2015 15:34

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marcelo Horn/GERJ/Divulgação
Para pesquisador do Ipea, policiais estariam dizimando a população pobre e negra, usando como desculpa os autos de resistência (foto: Marcelo Horn/GERJ/Divulgação)
Em reunião na Comissão Parlamentar de Inquérito da Violência Contra Jovens Negros e Pobres da Câmara dos Deputados, na terça-feira, dia 14 de abril, Antonio Teixeira de Lima, representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pesquisador da área de Igualdade de Gênero e Raça, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, diz que o estado brasileiro conduz uma "máquina de morte em massa" e que os autos de resistência (morte de suspeitos que "resistiram" à prisão), usados pela polícia, são instrumentos que "legitimam o estado a matar".

O Ipea estima que o total de mortes violentas no país já ultrapassou a casa de 60 mil por ano. De acordo com o Mapa da Violência (2002-2012), elaborado pelo instituto, houve redução significativa da taxa de homicídios entre os brancos, enquanto entre os negros o índice aumentou. Neste período de 10 anos, morreram 70% mais negros do que brancos. Para Teixeira, isso significa que o país possui uma verdadeira "máquina de morte em massa" e que uma raça inteira está sendo dizimada.

"Não são apenas indivíduos que estão morrendo, estamos falando de uma raça inteira que é arrastada pela precariedade e pela política de morte instituída pelo estado brasileiro, desde o período colonial e que persiste até hoje", afirma o pesquisador do Ipea.

A maior divergência entre os presentes na reunião realizada na CPI está relacionada ao uso, pela polícia, do chamado auto de resistência. Na Câmara, tramita o Projeto de Lei 4471/12, que cria regras rigorosas para a apuração de mortes e lesões corporais decorrentes das ações de agentes do estado. "É uma licença que permite ao estado matar", critica Antonio Teixeira, que acrescenta ainda o dado de que 80% dos crimes promovidos por grupos de extermínio possuem participação de policiais ou ex-policiais.

De acordo com o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA), a polícia não pode ser culpada por defender a sociedade de criminosos. Referindo-se ao possível fim do auto de resistência, o deputado diz que o policial terá apenas duas alternativas: "A certeza de que irá morrer, ao trocar tiros com o bandido, ou ficar preso ao matar um bandido".

Já para o deputado Paulão (PT-AL), a CPI deve estabelecer o Estado Democrático de Direito, retirando da polícia o uso do auto de resistência. "É um resquício da ditadura. Temos que lutar pelo contraditório, ampla defesa, e por uma perícia, como instrumento fundamental".

(com Agência Câmara)

Últimas notícias

Comentários