Ela faz sucesso no Facebook com sua página que combate o preconceito

Conheça a designer mineira Carol Rossetti, que teve o trabalho reconhecido pela maior rede social do mundo

por Vinícius Andrade 23/04/2015 14:28

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Pedro Nicoli/Facebook/Reprodução
A designer mineira Carol Rossetti fala sobre os preconceitos retratados em sua página do Facebook: "Tudo isso não é velado, é descarado" (foto: Pedro Nicoli/Facebook/Reprodução)
O que Brasil, Argentina e Chile têm em comum, além de estarem localizados no mesmo continente? Acertou se você disse que ambos são governados por mulheres (Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Michelelle Bachelet, respectivamente). Há anos, ninguém poderia imaginar tamanho feito. São inegáveis as conquistas sociais, políticas e econômicas do gênero feminino, entretanto, a luta continua. A designer Carol Rossetti, 26 anos, mineira de Belo Horizonte, se sentia indignada com o machismo embrenhado na cultura brasileira. Por meio de ilustrações no Facebook, ela começou a descrever os problemas enfrentados pelas mulheres na tentativa de desmascarar o preconceito.

Carol iniciou o projeto em abril do ano passado, e, hoje, sua página já conta com mais de 200 mil seguidores, com publicações em inglês, português e espanhol. A cada dia ela posta uma história real, fundamentada em relatos e experiências de diversas mulheres. A mineira mantém o enredo, mas utiliza personagens fictícios. "Eu fiz Marina, uma garota gorda que gosta de usar um vestido listrado. Ela não é baseada em ninguém especificamente, mas foi inspirada em vivências de pessoas próximas a mim. Eu postei, e o pessoal gostou bastante; compartilhou mais que o normal. Então, eu fiz uma outra ilustração no mesmo estilo, e, quando percebi, já tinha começado a série", conta a designer.

Facebook/Carolrossettidesign/Reprodução
Após ouvir tantas histórias de preconceito contra mulheres, a designer belo-horizontina decidiu retratar os fatos em imagens e textos, com nomes fictícios, que são publicados no Facebook (foto: Facebook/Carolrossettidesign/Reprodução)
O trabalho começou de forma despretensiosa e nem mesmo a autora esperava tamanha repercussão. "Foi uma surpresa muito positiva. Eu sempre tento manter uma interação bacana com meu público e respondo todo mundo, ou tento fazer o possível. Sou presente em quatro redes sociais [Facebook, Twitter, Instagram e Tumblr] e sempre encorajo uma interação saudável e construtiva. O projeto vem sendo construído não apenas por mim, mas por todo mundo que contribui com novas histórias e pontos de vista", acrescenta Carol Rossetti.

Ela afirma que o machismo é explícito no país, e já está enraizado na cultura brasileira. "Claro que as mulheres já tiveram várias conquistas ao longo dos últimos anos, na luta pela igualdade, mas, ainda há um longo caminho a ser percorrido. A diferença salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade, nós não temos liberdade reprodutiva, e o aborto não é tratado como questão de saúde pública. Travestis e transexuais continuam sendo alvo de crimes de ódio e constantemente desrespeitados pela grande mídia. A violência doméstica e sexual continua sendo um grande problema no país e o assédio nas ruas ainda afeta várias mulheres. Tudo isso não é velado, é descarado", critica Carol.

No último Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março deste ano, a página de Carol foi destacada pelo Facebook Stories – projeto da rede social que valoriza histórias de sucesso. "Foi uma surpresa muito positiva, fiquei muito orgulhosa quando entraram em contato comigo. É muito gratificante ver o próprio trabalho sendo reconhecido dessa forma", exalta. Carol também possui um novo projeto engatilhado. Em setembro, ela vai lançar o livro Mulheres. "Estou muito empolgada, acho que vai ser um material muito bacana", comenta a designer mineira, cheia de expectativa.

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