Saiba mitos e verdades sobre a crise hídrica

Estudo feito por especialistas a pedido do Senado mostra que a escassez de água vai muito além de uma questão climática

27/04/2015 16:17

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Facebook/Codema Juatuba/Reprodução
O reservatório Serra Azul, na cidade de Juatuba, na região metropolitana de Belo Horizonte, é o mais afetado pela crise hídrica (foto: Facebook/Codema Juatuba/Reprodução)
A atual crise hídrica que atinge as principais metrópoles brasileiras não decorre da estiagem nem da falta de investimentos no setor, mas da incapacidade dos governos em lidar com déficits temporários e excepcionais de água – por meio de medidas de racionamento, por exemplo. A avaliação é de um grupo de consultores, de diversas áreas, contratados pelo Senado, e que resultou no estudo A Crise Hídrica e suas Consequências.

Em São Paulo, por exemplo, houve, de fato, redução das chuvas em 30% entre 2013 e 2014, mas, a estiagem é apenas um dos fatores que ocasionam a crise hídrica. A seca, esclarece o estudo, também é provocada pela demora do poder público em reduzir o consumo e implementar políticas para o setor, prevendo bônus de tarifa para quem economiza água, e sobretarifação para punir os excessos ou desperdícios.

O trabalho foi elaborado para suprir a demanda de informações dos senadores e comissões do Congresso sobre o tema. "A redução do desperdício é uma solução para a crise hídrica. O reúso é mais uma fonte alternativa de abastecimento, assim como o aproveitamento da água da chuva. O reúso é ainda incipiente no país, mas vem crescendo principalmente nas cidades que passam por escassez hídrica", afirma Gustavo Aouar, consultor na área de escassez hídrica, e um dos autores do estudo.

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(foto: Facebook/Codema Juatuba/Reprodução)


Desperdício

No Brasil, o desperdício de água tratada atinge 37%, em razão de falhas nas tubulações, fraudes e ligações clandestinas. A maior parte dos vazamentos é subterrânea e de pequena vazão, o que dificulta sua identificação e correção. O desperdício é maior na região norte.

De cada cem litros de água consumidos no país, 72 são usados na irrigação agrícola. Em 2010, a demanda na captação (vazão retirada) no país foi a seguinte: 54%, com irrigação; 22%, abastecimento humano urbano; 17%, uso industrial; 6%, consumo animal; e 1%, abastecimento humano rural. Para a água efetivamente usada (vazão consumida), a distribuição foi de: 72%, irrigação; 11%, consumo animal; 9%, abastecimento humano urbano; 7%, uso industrial e 1%, abastecimento humano rural.

Do ponto de vista estritamente econômico, os consultores concluem que a melhor forma de lidar com escassez pontual e decorrente de eventos extremos é racionar a demanda. O investimento em barragens se justificaria em razão da incerteza do regime de chuvas.

Os investimentos ilimitados nesses empreendimentos, porém, podem não ser a melhor opção, visto o custo das obras, somado ao alagamento que impede a utilização da região inundada, e a enorme resistência de movimentos em defesa do meio ambiente. Atualmente, há cerca de 50 mil grandes barragens em operação mundo afora. O Brasil "mal ultrapassa o milhar", revela o estudo.

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(foto: Facebook/Codema Juatuba/Reprodução)


Poluição e desmatamento

O estudo avalia que não há como estabelecer graus específicos de responsabilidade da poluição, do desmatamento e do uso irregular das matas na atual crise hídrica, embora seja sabido que todas essas ações influenciam a disponibilidade e a qualidade dos recursos.

O estudo aponta que a principal causa de poluição dos mananciais de água é a ocupação irregular do solo no seu entorno imediato. Na maioria dos casos, essa ocupação é não apenas tolerada como promovida por órgãos públicos, ainda que indiretamente. Para impedir a ocupação das áreas de manancial, é importante proibir o fornecimento de água e energia elétrica a esses assentamentos, assim como coibir as ligações clandestinas.

O trabalho lembra que cada vez mais tem sido demonstrada a interrelação entre regiões distantes, como a Norte e a Sudeste, no que concerne a eventos climáticos. As chuvas que se precipitam sobre o Sudeste não raro se originam da água evaporada pela floresta amazônica, de modo que o desmatamento nesta região interfere na dinâmica de circulação atmosférica, confinando o fluxo de umidade na própria Região Norte, onde provoca inundações, e reduzindo a precipitação nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Os consultores entendem que, a médio e longo prazos, devem ser empreendidas ações de aceleração de obras de geração de energia e transmissão em curso e de retomada de programas de eficiência energética. Eles consideram inadequado identificar o conjunto das atividades agropecuárias como o principal responsável pela crise hídrica.

(com Agência Senado)

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