Conheça um pouco mais sobre o estilista Ricardo Almeida

Ele é um dos principais nomes da moda masculina brasileira e acaba de inaugurar uma loja em Belo Horizonte. Confira a entrevista com o estilista que vestiu o ex-presidente Lula

por João Paulo Martins 27/04/2015 18:55

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Celira Fonseca/Divulgação
O estilista paulista Ricardo Almeida acaba de inaugurar sua primeira loja em Belo Horizonte e fala à Encontro sobre sua moda (foto: Celira Fonseca/Divulgação)
Aos 60 anos, Ricardo Almeida, filho e neto de comerciantes do ramo de tecidos, não poderia deixar de estar liagdo, claro, à moda. Com a marca, que leva o próprio nome, o paulista começou a comercializar roupas masculinas de luxo em 1990 – sua carreira teve início em 1986. A partir daí, virou referência de moda masculina no Brasil.

Neymar, Aécio Neves, Alexandre Borges, Luigi Baricelli, Roberto Justus e Lula são alguns dos inúmeros famosos que usam as roupas da grife Ricardo Almeida. Uma marca característica da marca de luxo é o corte mais justo e a preocupação com o acabamento e os detalhes. O estilista faz questão de produzir peças que valorizem a silhueta mais elegante do homem esbelto.

Agora, é a vez dos belo-horizontinos conhecerem o trabalho diferenciado de Ricardo Almeida, que acaba de abrir uma loja da grife no BH Shopping, que fica no bairro Belvedere, região centro-sul da capital mineira. Aproveitando o momento, a Encontro conversou com o estilista paulista sobre o mercado de moda masculina e o perfil do público. Confira!

REVISTA ENCONTRO – Você acha que o mercado de moda para homens, no Brasil, está aquecido?
RICARDO ALMEIDA – Na realidade, a gente trabalha para a mulher, ou seja, deixa os homens mais bonitos. Acho que a mulher cobra muito do homem, para que esteja bem vestido, principalmente na hora do casamento. O brasileiro evoluiu bastante em relação à busca por informação sobre a moda. Isso vem crescendo, e acredito que existe, sim, um aumento da procura pelo vestuário masculino.

E com relação ao mercado de moda masculina de luxo?
O mercado de luxo cresce mais. O homem assume muito mais a postura de consumo do mercado de luxo, inclusive tingindo o cabelo, depilando o peito, fazendo lipoaspiração. Ele já está mais inserido nessa ideia de se produzir, porque tem mais condição. Na realidade, no mercado de luxo, os homens estão mais 'viajados' e com maior acesso a informação e novos materiais.

O brasileiro se veste bem?
Acho que o brasileiro está se informando mais. Lógico que a cultura europeia tem mais tempo de bagagem, respira moda há mais tempo do que aqui no Brasil. Estamos formando um público cada vez maior. O bom é que o brasileiro entende e apreende mais rapidamente as coisas.

Você costuma dizer que a roupa certa para a pessoa é aquela que lhe cai bem. Como é isso?
O principal é o corte da roupa. Não deve ser uma peça que deixe o homem maior do que ele é. No Brasil, muitas pessoas usam a roupa numa modelagem maior do que precisa, o que as deixam com aparência de estar fora do peso. Poxa, a pessoa vai para a academia, fica magrinha, e depois põe uma roupa grande! Tudo que trabalhou, acaba perdendo. É importante passar a imagem de pessoa mais magra, mais longilínea, mais elegante.

Antigamente, os ternos tinham uma modelagem maior, que não valorizavam a silhueta dos homens. Hoje, isso mudou, e a Ricardo Almeida faz questão de valorizar os cortes "slim fit", não é mesmo?
Os paletós, as calças e as camisas se renderam ao modelo slim, sejam em jeans ou em tecidos da alfaiataria. É para deixar o homem mais magro, mais elegante e longilíneo.

Você foi escolhido para ser o estilista do ex-presidente Lula, quando ele tomou posse em 2002. Fale um pouco sobre essa experiência.
Comecei fazendo a campanha dele. Fui contratado, na época, pelo marqueteiro Duda Mendonça para mudar o visual do Lula. Depois, durante o período em que foi presidente, passei a confecionar muitas peças para ele. Agora, não tenho mais atendido ao ex-presidente. Porém, nós atendemos muitos políticos.

Lula tinha a característica de homem do povo, de trabalhador. Como foi mudar a aparência dele?
Fui contratado justamente para mudar a imagem que ele tinha de alguém que não ligava pra a moda. Foi uma transformação de cabelo, barba e unha também. Tudo para ele passar um novo visual.

Isso ajudou na divulgação da marca Ricardo Almeida?
Ajudou bastante, pois, antes, as pessoas achavam que eu só fazia roupa para artistas e modelos. Depois de atender ao Lula, passaram a ver que pessoas normais podiam fazer roupas conosco. Muitos empresários que não eram 'fashion', ou seja, eram mais clássicos, passaram a procurar a Ricardo Almeida.

Como você lida com a pirataria e a concorrência das confecções chinesas?
A gente costuma ir em busca de produtos piratas. Mas, quem compra uma peça da pirataria sabe que ela não é real. Há pouco tempo, levaram uma camisa azul com gola verde em minha loja, para fazer a troca, e logo vimos que não era da Ricardo Almeida. O nosso cliente não é o que consome pirataria. Várias marcas mundiais são pirateadas, estão em vários lugares, e nem por isso deixam de vender ou de existir. Lógico que vamos em busca de produtos piratas, para retirar do mercado. Costumamos dar queixa ao órgão especializado, que fiscaliza essa questão. E com relação às confecções chinesas, elas não são concorrência, por se tratarem de outro mercado. Nosso trabalho é outro, que lida com a cor certa e a modelagem e o tecidos certos.

Facebook/Ricardoalmeidaoficial/Reprodução
As roupas da Ricardo Almeida são feitas para valorizar as formas mais esguias, mais longilíneas (foto: Facebook/Ricardoalmeidaoficial/Reprodução)


Você está inaugurando sua loja em Belo Horizonte, no BH Shopping, num momento em que passamos por uma crise econômica que vem fechando diversos estabelecimentos na capital mineira. É uma aposta no nosso mercado?
Eu aposto bastante no mercado atual. Estamos abrindo mais cinco lojas este ano, para ficar com 18 ao todo. Ano que vem abriremos mais oito lojas. Na realidade, a crise é melhor para se crescer. Quando o mercado está bom, é difícil arranjar funcionários e bons pontos de venda. Quando se passa por uma crise, tudo está mais 'pé no chão'. Na realidade, eu acho melhor, para crescer, aproveitar a crise, porque destaca nosso trabalho. As pessoas ficam com medo de investir nesse momento, mas, nós, não. Acreditamos em nosso produto. Quem chega em nossa loja encontra uma grande variedade de produtos, ao contrário de algumas lojas, que, em momentos de crise, investem apenas nos modelos que mais vendem. Por exemplo, em peças cinza e azul marinho, que saem muito. A nossa loja está num ponto muito forte no BH Shopping. Demorou um tempo a negociação, mas conseguimos.

A loja Ricardo Almeida possui uma área especial dedicada ao noivo. Como é isso?
Isso faz parte de nossas lojas em São Paulo, no Rio de Janeiro, e, agora, em Belo Horizonte. É um mercado muito forte. A noiva sempre cobra do noivo uma roupa nova. É um dia especial para os dois. Acho importante termos a sala do noivo.

É uma forma de dar um toque no noivo, para que ele pare de alugar fraque, por exemplo?
Nós também podemos fazer fraque. Só que não acho que seja apropriado para um casamento. O fraque, em inglês, se chama 'morning dress'. Ele deve ser usado até, no máximo, as 18h. É só acompanhar os casamentos no exterior, em que se usa fraque: eles são realizados durante o dia. Todos sabem disso. É um erro usar o fraque à noite. Não apostamos nisso. O noivo pode até mandar confeccionar o fraque, mas os padrinhos acabam alugando. Normalmente, os alugados nunca vão ser do tamanho da pessoa. A gente não indica isso.

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