Mulheres têm vergonha de dizer que estão com o intestino fora do ritmo

Segundo psicóloga, elas usam a desculpa da dor de cabeça para evitar a relação sexual, quando estão sofrendo com o desconforto intestinal

30/04/2015 09:02

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Para a psicóloga Pamela Magalhães, é preciso quebrar o tabu de se falar sobre problemas intestinais: "É legal dividir, para acabar com o preconceito de não comentar sobre isso" (foto: Pixabay)
"Hoje não, estou com dor de cabeça". Essa é uma frase muito conhecida, por ser um artifício usado pelas mulheres para evitar a relação sexual com seus parceiros. Mas, nem sempre esse é o real motivo para elas não estarem a fim do momento íntimo. O desconforto intestinal, que gera inchaço, gases e cólicas, muitas vezes é o vilão que impede as mulheres de terem uma vida sexual ativa e plena.

O estudo SIM Brasil, conduzido em 2012 pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, avaliou 3.029 mulheres, em 10 cidades brasileiras, e constatou que 79% das entrevistadas que declararam ter problemas de trânsito intestinal tinham suas vidas sexuais impactadas pelo desconforto.

Segundo a psicóloga Pamela Magalhães, que é terapeuta de casais, a situação é bastante comum entre o público feminino, e a mulher precisa lidar com dois tabus ao mesmo tempo. "Lutamos muito para conseguir conversar sobre sexo, mas, ainda assim, temos de nos preocupar com o momento certo para falar sobre o assunto. Dificilmente, a mulher pode revelar, no primeiro encontro, as suas preferências sexuais. Ainda há um machismo enraizado e o mesmo acontece quando a questão é falar sobre o intestino. Não dá para dizer que está constipada, pelo contrário, antes de tudo, é preciso sentir se o ambiente é aberto para a conversa, e se o outro vai suportar e encarar o tema numa boa", comenta a especialista.

A vergonha de falar sobre a saúde intestinal ainda é a principal barreira. Mas, para a psicóloga, é possível quebrar o tabu e tornar o assunto mais comum no dia a dia dos casais. Ela afirma que existem níveis de constrangimento, por isso, se desde o início o casal conversar com tranquilidade sobre o tema, é possível reverter. "No princípio, é possível dialogar quando estiver com uma dorzinha, quando não estiver se sentindo bem. É legal dividir, para acabar com o preconceito de não comentar sobre isso", orienta a terapeuta.

Pamela destaca que para uma mulher viver sua sexualidade de maneira saudável, ela precisa ter muita autoconfiança, estar "inteira" no momento da relação sexual. As mulheres têm de estar bem com elas mesmas para que consigam ter uma boa performance. E, para a psicóloga, isso não está relacionado com um corpo considerado atraente para o parceiro. A mulher precisa estar com a autoestima em alta e feliz com ela mesma.

A associação entre a rejeição e o intestino é um dos fatores que também atuam no psicológico da mulher. Existe uma correlação muito grande como algo que pode ser considerado sujo. A psicóloga exemplifica: "se o casal está em um momento íntimo, e a mulher sente vontade de ir ao banheiro, pode existir o medo do parceiro sentir o cheiro ou ouvir algo, que pode quebrar o encanto do momento. Isso faz com que ela crie a ideia de que não precisa ir ao banheiro".

Pamela defende uma transformação de paradigma: ainda está intrínseco na maioria da população de que mulheres bonitas não usam o banheiro, porque falar de saúde intestinal não é charmoso. "Quando a mulher deixa de entender o intestino como parte importante do seu corpo, e soma isso à vergonha de falar sobre o assunto, caso ela não tenha desejo de ter relações sexuais, nunca vai dizer que o motivo é estar constipada. Vai recorrer à velha desculpa de que está com dor de cabeça, para não ser rejeitada", completa Pamela Magalhães.

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