Você já jogou peteca?

Apesar de parecer uma diversão ou brincadeira, essa prática possui inúmeros adeptos no país, e sua transformação em atividade esportiva se deu em Minas Gerais, na década de 1940

por Vinícius Andrade 04/05/2015 08:23

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Raimundo Sampaio/ENCDF/D.A Press
A prática da peteca surgiu com os índios, mas sua transformação em esporte, tal como é conhecida hoje, se deve a Minas Gerais (foto: Raimundo Sampaio/ENCDF/D.A Press)
Antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, historiadores afirmam que os nativos já praticavam a peteca como forma de recreação. Nos jogos das Olimpíadas de 1920, realizada na Antuérpia, capital da Bélgica, os nadadores da equipe brasileira levaram o objeto, inicialmente feito com penas de aves domésticas, palha de milho e pequenas pedras, para se aquecerem antes das competições. Registros da época apontam que a novidade despertou o interesse de atletas e treinadores de outras nações, especialmente da Finlândia. Coube a Minas Gerais, na década de 1940, transformar a brincadeira em esporte, por meio de jogos internos nos clubes pioneiros de Belo Horizonte. Hoje, é inconcebível imaginar algum espaço recreativo ou esportivo no estado que não tenha quadras demarcadas para essa modalidade.

Em 1973 surgiram as regras desse esporte e, dois anos depois, nascia a Federação Mineira de Peteca (Fempe). A modalidade expandiu as fronteiras mineiras e foi bem recebida por outros estados brasileiros como Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. Com a divulgação da peteca e o surgimento de outras federações, foi criada, então, a confederação nacional, que, atualmente, fica em São Paulo.

Se você é da geração dos anos 1990 em diante, não vivenciou a época de ouro da peteca em Belo Horizonte. No final da década de 1980, os eventos lotavam os clubes e provocavam grande alvoroço na cidade. A Copa Itaú foi considerada a competição com a segunda maior participação de atletas no Brasil, perdendo apenas para a corrida de São Silvestre. O apoio da mídia e as parcerias público-privadas viabilizavam torneios extremamente concorridos na capital.

O educador físico Renato Machado, de 50 anos, começou a praticar o esporte aos 21, e desde então não parou. Ex-vice-presidente e atual colaborador da Fempe, ele vem lutando para maior divulgação da peteca em Minas e em todo o Brasil. "É um esporte relativamente novo. Ele só vai ser profissionalizado quando a mídia reconhecer que é um esporte viável. Nossa luta é formar professores de educação física que comecem a trabalhar com a modalidade nas escolas e nos clubes", defende Renato.

Heitor Antonio/Encontro Digital
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)


"Petecar"

A simplicidade do jogo é um ponto positivo, porque abre espaço para diferentes faixas etárias e pode ser praticado em qualquer lugar. No entanto, a facilidade pode pesar contra, segundo Renato. "É uma prática cultural falar que a peteca todo mundo sabe jogar. Para você conseguir rebater a peteca dez vezes no ar, é preciso treinar. Parece que o brasileiro trata o popular como algo sem valor. No Brasil, o que é popular é desprezado", lamenta o educador físico.

O atual presidente da Fempe, Eustáquio Queiroz, tem buscado apoio para maior valorização dessa modalidade, mas, vem esbarradondo em algumas dificuldades. "Peteca é um esporte atrativo, mas falta espaço na mídia, patrocínio e premiação. Ela é sempre tratada como lazer. Normalmente, os empresários não acham que vale a pena. Ela precisa de incentivo, de dinheiro e de visibilidade", destaca o presidente.

Apesar dos obstáculos, as competições não param. Até 2014 existia uma etapa do campeonato mineiro, por ano, e os vencedores disputavam o evento brasileiro, em novembro. A partir de 2015, serão quatro etapas para se conhecer a dupla vencedora do estado. Ela, então, se classifica para a competição nacional, que será disputada em três dias no fim do ano.

Além desses torneios, a Confederação Brasileira de Peteca e a Fempe organizam eventos paralelos. Entre os dias 11 e 31 de maio, o Minas Shopping vai receber uma quadra oficial para a disputa de vários torneios, incluindo a Liga Brasileira de Peteca, representada pelos melhores atletas do país. A programação ainda inclui oficinas para as crianças de escolas públicas. Elas vão aprender a confeccionar uma peteca. É uma boa oportunidade para apreciar o esporte projetado em terras mineiras.

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