O que você acha do transplante de cabeça?

Médico italiano diz que conseguirá realizar essa polêmica e quase impossível cirurgia até o ano de 2017

por Henrique Souza e Vinícius Andrade 14/05/2015 16:32

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Tedxlimassol.com/Reprodução
O neurocirurgião italiano Sérgio Canavero diz que será capaz de transplantar uma cabeça humana até o ano de 2017 (foto: Tedxlimassol.com/Reprodução)
A Medicina anda a passos largos a cada dia. Apesar dos avanços, alguns procedimentos parecem apenas sonhos. Mas o neurologista italiano Sérgio Canavero quer quebrar barreiras e fazer um transplante de cabeça daqui a dois anos. O médico afirma que há uma maneira possível de realizar esse transplante com sucesso no corpo humano.

A técnica pensada pelo italiano consiste em implantar a cabeça de um paciente com doença grave no corpo de um doador com morte cerebral. A equipe de Canavero realiza testes desde 2013 e acredita ter descoberto uma forma de realizar uma fusão entre a medula espinal e a nova cabeça, sem que haja rejeição do sistema imunológico do corpo. A ideia é resfriar tanto o corpo do doador quanto a cabeça do receptor para evitar que as células morram sem oxigênio e cortar os tecidos do pescoço e conectar as veias e artérias maiores a tubos finos e seccionar os nervos da espinha. Para estimular as novas conexões nervosas, o cirurgião usaria uma substância química como polietileno.

O receptor ficaria em coma por quatro semanas e passaria por um processo de adaptação e fisioterapia para voltar a andar. Diversas pessoas já teriam se candidatado ao procedimento. Um procedimento similar foi testado em um macaco nos anos 1970. O animal conseguia respirar com ajuda de aparelhos mas não podia se mover, pois sua cabeça não havia sido conectada aos nervos da espinha. O macaco acabou morrendo dias depois devido à rejeição de tecidos.

Palavra de especialista

A possibilidade levantada pelo médico italiano seria uma revolução na área médica. No entanto, cientistas de várias partes do mundo ainda estão receosos com a proposta do profissional. "É uma coisa muito ambiciosa, porque existem várias barreiras que a Medicina não conseguiu transpor ainda", opina o neurocirurgião Marcelo Magaldi Ribeiro, professor da UFMG.

O médico Sérgio Canavero prometeu apresentar a técnica em uma conferência da Academia de Cirurgias Neurológicas e Ortopédicas, que acontecerá em junho, nos Estados Unidos. O procedimento proposto pelo italiano duraria 36 horas e envolveria uma equipe de 100 médicos para ligar um corpo saudável à cabeça do paciente. Para colocar a ideia em prática, o italiano precisará vencer alguns obstáculos.

Confira os cinco principais desafios dessa cirurgia, conforme entendimento do neurocirurgião Marcelo Magaldi:

Reconstituição de medula

A medula passa pelo pescoço, e quando uma cabeça é cortada para se colocar outra, é preciso conectá-la. Segundo o especialista, é um processo semelhante ao do traumatismo medular, como aconteceu com a atleta brasileira Laís Souza. "De todos os pacientes que já sofreram trauma na medula, não foi possível reconstituí-la. Ele [Sérgio Canavero] está pensando em algo que a Medicina ainda não conseguiu, que é emendar uma medula na outra".

Conexão dos nervos

Além da medula, existem vários nervos importantes que descem da cabeça para o corpo. Eles teriam de ser emendados um por um. "É até possível, mas tecnicamente é bem complicado reparar tudo certinho", aponta o neurocirurgião.

Oxigenação do cérebro

Para fazer o transplante de cabeça, é necessário cortar as veias e artérias do pescoço. O problema é que o coração teria de continuar batendo para o sangue oxigenar. "Eu não sei como que o médico pensaria em manter o cérebro da cabeça doadora oxigenado, porque passando de quatro minutos os neurônios começam a morrer. Pode ser que quando ele acabar a cirurgia, o cérebro da cabeça transplantada não esteja funcionando", diz o professor.

Questão ética

É inevitável que a questão ética seja levantada. Um rosto que já tem uma identidade pública seria transferido para outro corpo. E as emoções e sentimentos, que estão ligados ao cérebro? Essas questões ainda prometem ser mais um desafio para a viabilização do transplante.

Legislação

Todos os transplantes ocorrem em conformidade com a legislação brasileira e mundial. A lei só permite o transplante quando o diagnóstico de morte encefálica é confirmado. Portanto, seria quase inviável transportar a cabeça de uma pessoa para outra, em tempo hábil após a morte cerebral dela.

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