Falar e andar ao mesmo tempo é um perigo para idosos

Pesquisa de fisioterapeuta mineira mostra que, após os 65 anos, essas duas ações feitas ao mesmo tempo exigem maior atenção do cérebro, o que leva ao risco de tombos

por Vinícius Andrade 20/05/2015 08:49

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Segundo a pesquisa, idosos que realizam atividades físicas constantes correm menos risco; além disso, quando estiver caminhando, é melhor parar para falar (foto: Pixabay)
Andar ou falar? Parece um pergunta boba, afinal, realizar essas atividades simultaneamente é um instinto automático para a maioria das pessoas. Porém, um exercício que pode parecer "trivial", se transforma em um desafio para alguns idosos, principalmente a partir dos 65 anos de idade. Isso porque cerca de 30% das pessoas nessa faixa etária sofrem queda, pelo menos, uma vez a cada ano.

Preocupada com a qualidade de vida e bem-estar dos idosos, principalmente quanto às ocorrências de quedas, a fisioterapeuta Rita Guedes concluiu uma tese de doutorado na qual comprova que falar durante uma caminhada é um dos grandes responsáveis pelos tombos.

Segundo Rita, coordenadora do curso de Fisioterapia do UniBH, caminhar é um ato automático, mas com o passar do tempo, essa função sofre um certo "desgaste". "Tanto o ato de andar quanto a coordenação da fala estão na mesma área cerebral. Com o envelhecimento, o idoso passa a não enxergar muito bem, já não tem tanto equilíbrio e precisa prestar mais atenção, o que exige mais dessa área cerebral. Ao conversar e responder alguma coisa, é como se o cérebro tivesse que dividir a atenção e, assim, há muito risco de queda", explica a especialista.

Para chegar a essa conclusão, a pesquisadora pediu que alguns idosos andassem sobre um tapete com quase 20 mil sensores capazes de captar a velocidade dos passos e calcular o tempo em que os dois pés tocavam o chão ou quando era um só. Depois, as pessoas submetidas ao teste repetiram o procedimento, porém, tendo de responder às perguntas: qual foi o melhor momento da sua vida e por quê? "Quando eles caminhavam e respondiam a essas perguntas, mudavam muito o jeito de andar. Movimentavam-se mais devagar, com passos mais curtos e mais tempo com os pés no chão. Com isso, a marcha fica mais arrastada, um fator de risco para queda", aponta Rita.

Os fisioterapeutas possuem algumas técnicas para ajudar a exercitar o cérebro dessas pessoas. Falar nomes de pessoas com a letra "A" enquanto andam é um exemplo. Mas, isso não significa que todos os idosos devem procurar um especialista. Se você tem mais de 65 anos e pratica exercícios físicos, possui uma vida ativa, faz exames médicos com frequência e tem boa saúde, provavelmente não vai sofrer com esse problema. Conforme a pesquisa, idosos que interrompem a caminhada para responder ou param de falar enquanto andam, têm menos riscos de sofrer quedas.

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