Composto natural pode ajudar a combater a leishmaniose e a doença de Chagas

A pesquisa brasileira conseguiu isolar uma substância da canela-seca com ação antiparasitária e, ao mesmo tempo, anti-inflamatória

26/05/2015 14:06

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Arvores.brasil.nom.br/Reprodução
A árvore da canela-branca ou canela-seca é uma espécie endêmica no Brasil, sendo mais encontrada em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (foto: Arvores.brasil.nom.br/Reprodução)
Um composto natural isolado de árvores da espécie Nectandra leucantha, popularmente conhecida como canela-seca ou canela-branca, apresentou resultados positivos contra parasitas e como anti-inflamatório. Ele pode ser usado como tratamento da leishmaniose visceral e da doença de Chagas.

"Se a molécula demonstrar eficácia e segurança também nos ensaios pré-clínicos in vivo, poderá servir de protótipo para o desenvolvimento de um novo fármaco", diz André Gustavo Tempone, pesquisador do Instituto Adolfo Lutz, que está desenvolvendo o estudo em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e com a Ohio State University, dos Estados Unidos.

"Já de início, o composto se mostrou interessante, pois foi possível isolar uma grande quantidade em laboratório. Em pesquisas de produtos naturais, o comum é obter alguns poucos miligramas da substância ativa, mas o grupo da Unifesp conseguiu obtê-la na escala de gramas, o que facilita muito a realização dos testes pré-clínicos", conta o pesquisador Tempone.

Nos primeiros experimentos feitos no IAL sob a coordenação de Tempone, a substância se mostrou capaz de matar parasitas das espécies Leishmania infantum (causadora da leishmaniose visceral) e Trypanosoma cruzi (causadora da doença de Chagas), sem apresentar grande toxicidade para as células de mamíferos.

Divulgação
O composto isolado da canela-seca possui ações antiparasitária e anti-inflamatória, conseguindo combater a leishmaniose visceral e a doença de Chagas (foto: Divulgação)
"Além da atividade antiparasitária que já havíamos demonstrado aqui no Brasil contra a L. infantum e o T. cruzi, houve também uma menor produção de duas diferentes substâncuas inflamatórias: a interleucina-6 e a interleucina-10. Essas moléculas costumam exacerbar a doença, pois fazem com que o sistema imunológico ataque os tecidos do próprio organismo na tentativa de combater o parasita. O composto tem, portanto, uma dupla ação", explica  André Tempone.

Mais testes

O passo seguinte do processo de desenvolvimento de fármacos é avaliar a eficácia e a segurança da molécula candidata em estudos com animais. Para aumentar as chances de sucesso, porém, Tempone pretende, antes, realizar estudos de farmacocinética e farmacodinâmica. Entre outros fatores, esses estudos têm o objetivo de descobrir como o composto é metabolizado no organismo, quanto tempo leva para ser degradado e quais as substâncias resultantes após sua metabolização.

"Esses resultados podem ajudar a planejar melhor os testes pré-clínicos, como determinar a dose mais adequada e quantas vezes ao dia o composto deve ser administrado. Dessa forma conseguiremos minimizar o uso de animais. Outra grande vantagem da molécula isolada da Nectandra leucantha é possuir uma estrutura química relativamente simples, o que facilitaria a criação de uma versão sintética. Isso é desejável quando se pensa em escalonar a produção na indústria farmacêutica, pois torna o processo economicamente viável", explica o pesquisador.

(com Agência Fapesp)

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