Empresas que fizeram o viaduto Batalha dos Guararapes trocam acusações

Para presidente da Consol, responsável pelo projeto técnico do viaduto que caiu na av. Pedro I, a Cowan não seguiu o projeto, e fez mudanças que comprometeram sua estrutura

27/05/2015 14:56

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação
A queda do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, região norte de Belo Horizonte, em julho de 2014, deixou dois mortos; tudo indica que o acidente se deu devido a falhas no projeto (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação)
Representantes da Consol Engenharia e da Construtora Cowan, responsáveis pelas obras de implantação do sistema MOVE na avenida Pedro I, trocaram acusações quanto à responsabilidade pela queda do viaduto Batalha dos Guararapes, em julho de 2014, em Belo Horizonte, que matou duas pessoas. Isso se deu durante audiência pública da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na terça, dia 26 de maio. Maurício de Lana, diretor-presidente da Consol, responsável pelo projeto técnico do viaduto, apontou problemas na execução da obra, enquanto José Paulo Toller Mota, diretor da Cowan, que executou o serviço, afirmou que houve erros de cálculo no projeto.

De acordo com Maurício de Lana, a mudança no projeto que permitiu a abertura de 42 janelas no corpo do viaduto fragilizou a estrutura e provocou a queda. Ele relata que a Cowan enviou correspondência à Consol para que avaliasse tecnicamente a possibilidade de abertura de duas janelas na laje superior do viaduto, o que não foi autorizado pela empresa projetista. "No entanto, a Cowan fez 42 janelas no viaduto. Todas essas mudanças não foram objeto da anuência da projetista. E eu desconheço se houve aprovação da Sudecap e do Crea", alerta o empresário, fazendo referência à necessidade da Superintendência de Desenvolvimento da Capital, vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais se manifestarem sobre o caso.

O dirigente da Consol listou outras irregularidades que a Cowan teria cometido como a retirada muito rápida do escoramento do viaduto e o o uso de concreto vencido em uma parte do mesmo. Também criticou a falta de uma estrutura de fiscalização mais eficaz por parte da PBH.

Erro de cálculo

Munido de uma maquete da parte do viaduto que se rompeu, o diretor da construtora Cowan, José Paulo Toller Mota, rebateu as acusações do titular da Consol. De acordo com Mota, o erro do projeto da Consol foi não ter dimensionado que a carga do bloco do pilar P3 pudesse ser transferida de modo uniforme para as 10 estacas que ficam em volta do viaduto. Pela análise dele, apenas duas dessas estacas foram sobrecarregadas, recebendo uma carga de 2,5 mil toneladas, o que fez com que essas estruturas afundassem sete metros no chão.

José Paulo Mota também rebateu as acusações da Consol de que a causa do acidente seriam as janelas feitas no viaduto. Ele lembra que em obras similares ao viaduto Batalha dos Guararapes, como o viaduto B e Norte-Sul, construídos no período em que a Consol atuava na fiscalização, foram feitas várias janelas nessas edificações.

Mota explica que, no viaduto inteiro, a Consol projetou apenas quatro janelas que não permitem que se entre embaixo do viaduto. Por isso, afirma o dirigente da Cowan, "houve necessidade de se abrir novas janelas nas laterais da obra. Essa estruturas permitem, durante a obra, o trabalho com segurança dos operários e atendem a normas de engenharia civil; e após a conclusão, possibilitam a manutenção do viaduto, de modo que se possa entrar embaixo da laje para fazer verificações de rachaduras, infiltrações ou outras pequenas falhas na estrutura". Além disso, José Paulo conta que a Cowan contratou laudos que comprovaram que a abertura das janelas não comprometeria a estrutura nem provocaria qualquer rompimento.

Sobre o uso de concreto vencido, José Paulo Mota responde que todo o concreto e o aço utilizados em todas as partes do projeto estavam de acordo com as especificações técnicas. Ele cita o laudo do diretor de Criminalística da Polícia civil, o qual aponta que a Cowan executou rigorosamente o projeto entregue pela Consol. E ao contrário do que afirmou Maurício Lana, o dirigente da Cowan diz que a retirada do escoramento não foi feita às pressas. "Naquele momento, já havia a decisão de que o viaduto não ia ficar pronto para a Copa do Mundo. Tanto que o tempo de retirada do simbramento foi de 27 dias", destaca o engenheiro.

Falhas gerais

Frederico Correia de Lima Coelho, engenheiro do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape), lembra que a Polícia Civil já emitiu seu laudo, que aponta indícios de problemas de fundação, da forma de remoção da estrutura de apoio ou escoramento, entre outros.

Na avaliação do diretor do Ibape, há problemas de fiscalização, de projeto, de execução e ainda, um problema sistêmico: a forma de contratação do serviço de engenharia, que considera apenas o menor preço e exige um prazo exíguo para conclusão. "A falta de projetos detalhados, no Brasil inteiro, causa riscos as nossas edificações e onera o poder público de forma demasiada", afirma Frederico.

(com Assessoria da ALMG)

Últimas notícias

Comentários