Reunião sobre o Estatuto do Desarmamento termina com apoio total à venda de armas

Os palestrantes e deputados que participaram da audiência na Câmara foram unânimes ao avaliar que a violência cresce porque a população está desarmada

29/05/2015 09:40

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Luiz Alves/Câmara dos Deputados/Divulgação
Na reunião da comissão especial que analisa mudanças no Estatuto do Desarmamento, os convidados e deputados afirmaram que a sociedade está desprotegida contra a criminalidade (foto: Luiz Alves/Câmara dos Deputados/Divulgação)
Em reunião realizada na quinta-feira, dia 28 de maio, na comissão especial que discute a proposta (PL 3722/12) de mudanças no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03), todos os participantes se manifestaram favoráveis à revisão da lei como forma de facilitar a compra de armas pela população civil.

Entre palestrantes e deputados, não houve quem se colocasse contra o rearmamento da sociedade, apresentada como desprotegida contra a criminalidade – que segundo os presentes, está mais armada, com o contrabando, e mais agressiva, por não encontrar resistência –, o que explicaria o aumento de latrocínios, invasões a residências e fazendas, assaltos com armas brancas e crimes com explosivos.

Para o coronel Marco Antônio Santos, presidente da Confederação Brasiliense de Tiro, mesmo longe dos grandes centros, o brasileiro, espalhado num Brasil continental, "só tem Deus e ele próprio para defendê-lo, em geral com as mãos, no máximo facão, pois arma de fogo ele não consegue comprar". E conclui: "Quem desarma o cordeiro, privilegia o lobo".

O diretor de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, general Luís Henrique de Andrade, fez um histórico da atuação dos militares na área, e mostra que 4,5 milhões de armas já foram apreendidas e destruídas.

Indústria de armas

O presidente da Associação Nacional de Armas e Munição, Salésio Nuhs, diz que o governo, quando quer discutir o desarmamento, só fala com as ONGs e não com a indústria: "Uma contradição, pois é ela que controla a fabricação e a venda. Ela não controla as armas ilegais que entram pelo contrabando, que aumentou 455%. Na apreensão de armas no complexo do Alemão, 80% eram armas contrabandeadas".

"Quando entrei para esta comissão pensei que seria muito criticada, mas ocorreu o contrário", diz a deputada Magda Mofatto (PR-GO). "Ganhei mais apoio. Os níveis alarmantes da violência no país se devem em boa parte ao desarmamento da população e à maioridade penal [18 anos], dois pontos que temos de atacar para diminuir esta violência", comenta a parlamentar.

Imigrantes

Para o deputado Delegado Edson Moreira (PTN-MG), também seria necessário melhorar a fiscalização da entrada de imigrantes em nossas fronteiras. "Com os imigrantes, entram armas e drogas", diz o deputado mineiro.

Depois de acusar o governo de utilizar parlamentares da sua base para protelar os trabalhos da comissão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC SP) questiona: "A quem interessa o desarmamento, se tivemos mais de 42 mil pessoas mortas por arma de fogo neste ano? Um recorde".

(com Agência Câmara)

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