Profissionalização da capoeira divide opiniões dos praticantes

A Confederação Brasileira de Capoeira Desportiva quer a regulamentação da prática, mas esbarra na opinião de muitos mestres, que temem que isso acabe com a característica cultural da luta

por Vinícius Andrade 09/06/2015 16:45

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Carlos Vieira/CB/D.A Press
"Eu quero ser profissional de capoeira. Acho que deveria ser o pensamento de todo mundo", diz Luiz Marques, presidente da Confederação Brasileira de Capoeira Desportiva (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Se a paixão pela capoeira é motivo para unir os mestres, algumas questões políticas têm gerado divisão entre os amantes dessa arte marcial. Uma corrente quer transformar a luta em esporte reconhecido, mas enfrenta a resistência de muitos praticantes, que consideram o jogo uma expressão da cultura brasileira.

No Brasil, existe a Confederação Brasileira de Capoeira (CBC), reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e a Confederação Brasileira de Capoeira Desportiva (CBCD). Esta, é presidida pelo professor Luiz Marques, conhecido como mestre Teacher, um dos defensores da profissionalização do esporte. Ele concorda com o diploma de licenciatura para os mestres de capoeira, mas diz que muitos se recusam a cursar uma faculdade.

"A ideia é cadastrar os mestres numa entidade que os reconheça como capacitados. É importante conseguir o certificado e fazer a avaliação para saber se você pode ter o diploma de professor de capoeira. Quem vai avaliar o pessoal que fica na rua, e não sabe nada de anatomia?", questiona o presidente da CBCD.

Cultura ou esporte?

Para o mestre de capoeira José Paulo Ribeiro, a profissionalização da capoeira seria como um "golpe" contra a cultura popular brasileira. "Se você não pagar e não seguir as regras deles, ninguém poderá se tornar mestre. O que faz a capoeira ser diferente é a parte musical. Você pode ensinar o garoto a tocar um pandeiro, berimbau, e trabalhar o cérebro", aponta o capoeirista.

De acordo com Luiz Marquez, não basta o mestre entender de capoeira. Ele precisa ser apto a ensinar outras pessoas e, para isso, deve cursar uma faculdade, assim como qualquer outro professor. "As pessoas que são contra essa visão têm medo de que alguém tome conta delas, e as coloque nos 'grilhões' da escravatura. Mas, essa é uma ideia equivocada. Eu quero ser profissional de capoeira. Acho que deveria ser o pensamento de todo mundo", destaca o presidente da CBCD.

Diferente do colega, o capoeirista José Paulo defende a prática como forma de expressão artística, e não apoia o projeto da confederação. "Aprendi capoeira com parte da 'escola' da vida. Os professores formados não têm competência para ensinar capoeira. Isso é mais uma artimanha da elite para cortar uma das poucas coisas que sobraram da cultura popular e que têm condições de dar vida digna para o pobre", ressalta o mestre.

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