Novo vírus que afeta crianças é descoberto no Brasil

Pesquisadores analisaram as fezes de pacientes do Amazonas e encontraram um novo gênero de vírus, que pode causar diarreia e paralisia nos membros inferiores

11/06/2015 11:55

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Monique Renne/CB/D.A Press
O vírus do gênero Gemycircularvirus foi descoberto por meio da análise de fezes de crianças que estavam com diarreia na cidade de Manaus (foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
Por meio de uma pesquisa com pacientes atendidos em Manaus, no Amazonas, Patrícia Puccinelli Orlandi, pesquisadora do Instituto Leônidas e Maria Deane, da Fiocruz Amazonas, e Tung Gia Phan, pesquisador do Laboratório de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), descobriram um novo tipo de vírus que causa diarreia e paralisia temporária nos membros inferiores de crianças de 0 a 5 anos de idade. O patógeno também pode causar encefalite e levar à morte.

A partir da análise molecular das fezes de crianças com diarreia, atendidas em prontos-socorros de Manaus, os pesquisadores encontraram, pela primeira vez no Brasil, o vírus do gênero Gemycircularvirus, que causa, além da diarreia, paralisia flácida temporária nos membros inferiores. A descoberta foi publicada em um artigo, em abril deste ano, no Virology Journal, revista inglesa especialisada em viroses.

"A paralisia nos membros inferiores, ou seja, nas pernas, não é simplesmente a fraqueza que dá após longos períodos diarreicos. É uma paralisia total, com impossibilidade de andar por até duas semanas", explica a pesquisadora Patrícia Puccinelli Orlandi.

Segundo ela, de 2007 a 2009, pesquisadores da Fiocruz Amazonas coletaram 1,5 mil amostras de fezes de crianças, de 0 a 10 anos, com diarreia, atendidas no hospital e pronto-socorro João Lúcio e na policlínica da Codajás, em Manaus, para analisar quais tipos de vírus e bactérias mais acometem as crianças na capital do Amazonas.

"O pesquisador da Califórnia [Tung Gia Phan] viu nosso estudo e entrou em contato solicitando 600 amostras para analisar os novos tipos de vírus. Em cinco das 600 amostras, ele encontrou o Gemycircularvirus. Parece pouco, mas significa dizer que o vírus está circulando, e que temos de melhorar o diagnóstico para que haja tratamento adequado e o quadro não se agrave", diz Patrícia Orlandi.

Diagnóstico

Diante dos resultados, a pesquisadora da Fiocruz Amazonas informa que está iniciando um estudo para o desenvolvimento de um kit de diagnóstico rápido do vírus Gemycircularvirus. "Com o desenvolvimento de um kit para diagnóstico, auxiliaremos na vigilância epidemiológica de um vírus, que é tão agressivo e que, até então, era desconhecido", completa Patrícia.

Ela explica que a transmissão do novo tipo de vírus é feita de forma oral, ou seja, a partir do consumo de água contaminada com fezes contaminada. Atualmente, o diagnóstico só pode ser feito após a análise molecular do material fecal do paciente. "Tentaremos descobrir, ainda, se o vírus está circulando na região amazônica para diminuir a incidência de casos", esclarece a pesquisadora.

(com Agência Fiocruz)

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